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APRESENTAÇÃO

O Departamento de Filosofia e Ciências Humanas, com o apoio do Colegiado de Filosofia, da Universidade Estadual de Santa Cruz, organizará, no período de 16 a 19 de outubro de 2007, a VII Semana de Filosofia.

A proposta da VII Semana de Filosofia é a de reunir intérpretes de diferentes áreas do conhecimento filosófico e de diferentes períodos históricos, com o objetivo de discutir a natureza, a função e as implicações do sentido da visão na filosofia.

A sensação visual foi o primeiro dos cinco sentidos a ser escolhido no surgimento da filosofia como uma metáfora privilegiada do conhecimento, por exemplo, em Platão. À visão ou contemplação das idéias como o verdadeiro conhecimento, Platão opõe a visão distorcida do mundo das aparências. A alegoria da caverna é uma forte referência a uma tradição do conhecimento que contrapõe luz e obscuridade.

Desde o surgimento da filosofia, portanto, funda-se uma tradição para a qual a visão corresponde a um tipo de saber imediato, não imediatamente dado, mas alcançado, o que alguns teóricos chamam de intuição intelectual. Há, contudo, uma diferenciação a ser estabelecida pelos intérpretes participantes que nos mostrará a função diferente que cada período histórico da filosofia atribuiu à visão.

Na época moderna, as questões concernentes à visão recebem grande ênfase, que pode ser constatada nos tratados de ótica publicados, principalmente, nos séculos XVI e XVII. Ao interesse pela ótica estão associados o desenvolvimento de técnicas de lapidação de lentes unido ao interesse cada vez maior por recursos que possibilitem a ilusão de ótica com o aprimoramento dos estudos da geometria que está na base da construção da perspectiva. O pano de fundo dessas técnicas são os estudos anatômicos e fisiológicos do olho, com destaque para a função do nervo ótico, que desempenham importante papel, não só para a compreensão das patologias, mas também para a explicação de todo o processo do conhecimento com base no sentido da visão. A interpretação mecanicista oferece um aparato teórico que procura esclarecer a construção do conhecimento. A investigação do modelo mecanicista e suas implicações para a ciência e a epistemologia do período moderno devem ser tomadas como aspectos fundamentais para a discussão do tema aqui proposto.

No contexto da filosofia contemporânea, a fenomenologia, com Husserl, põe em discussão a apreensão do fenômeno pela visão condicionada pela intencionalidade. Merleau-Ponty estabelece um rico diálogo com a tradição cartesiana, ao discutir o conceito de intuitus mentis fundado na analogia com a visão, ao qual o autor contrapõe uma visão do impossível.

Com relação à percepção estética, abriremos espaço para discutir um conceito citado em diferentes áreas do pensamento contemporâneo, capaz de ampliar o entendimento da visão relacionada, por um lado, à tecnologia e, por outro, ao não-visível, ao inconsciente. Trata-se do conceito de “inconsciente ótico" de Walter Benjamin, ao considerar a linguagem cinematográfica como veículo revelador de instâncias não visíveis a olho nu, mas possíveis por meio da objetiva da câmera, dos cortes e dos enquadramentos. A recepção do espectador sofre alterações nesse contexto, revelando uma capacidade de percepção estética inusitada e uma experiência semelhante à do inconsciente pulsional.

O tema “o sentido da visão” acolherá propostas para comunicações que participem dos contextos históricos mencionados.

Mais informações: viisemanadefilosofia@uol.com.br

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