A professora Maria Luiza Silva Santos, do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas (DFCH) da Universidade Estadual de Santa Cruz, proferiu palestra na solenidade de abertura da 10ª Semana Nacional de Museus, realizada em Ilhéus. O evento foi promovido, na tarde de terça-feira, dia 22, no colégio Instituto Nossa Senhora da Piedade, este ano com a temática "A presença do imigrante árabe na obra de Jorge Amado e sua influência no desenvolvimento da região sul da Bahia.”
A 10ª Semana Nacional de Museus é uma programação do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) integrando o calendário da escola referente às comemorações do centenário do nascimento do escritor Jorge Amado. Após palestra, foi exibido vídeo e inaugurada a exposição, que fica aberta ao público até o próximo dia 15 de junho, com fotografias de famílias de imigrantes que ajudaram a desenvolver o comércio de Ilhéus e da região.
O trabalho da professora Maria Luiza, intitulado "O quibe no tabuleiro da baiana", é o resultado da dissertação apresentada para obtenção do título de Mestre em Cultura & Turismo, à UESC. Nele, ela destaca que "os imigrantes sírios e libaneses chegaram ao Sul da Bahia, região do Cacau, ao final do século XIX e início do século XX, em função das crises políticas que ocorriam em seus territórios, e atraídos pela perspectiva de progresso que se evidenciava nesta região. A cidade de Ilhéus recebeu muitos desses imigrantes que fizeram desse espaço o seu novo lar. Esse fenômeno migracional foi registrado por vários autores de origem regional e percebido pelas pessoas da região em função de hábitos e costumes diferenciados trazidos por esses povos."
A professora explica que "as assimilações aconteceram, os imigrantes de primeira geração passaram a segunda, terceira e quarta gerações deixando um legado significativo para a cidade, principalmente no comércio e na gastronomia. A análise desse fenômeno, desenvolvida nesse trabalho através de depoimentos, é embasada pelos conceitos de Imigração, Turismo e Globalização, bem como de hibridismo, pluralismo e identidade que subsidiam a discussão, no sentido de propor uma reflexão quanto à utilização e aproveitamento dessas histórias registradas para enriquecer o turismo cultural da cidade."
"Ilhéus apostou no turismo para alavancar sua economia em detrimento das dificuldades por que passa a região devido à crise na cultura do cacau. Ilhéus, propagada por suas belezas naturais, pode ser atração também por sua cultura e mercado gastronômico, que é significativo tanto nas comidas regadas ao dendê como as de outras origens que se incorporaram à cultura local, a exemplo da culinária sírio e libanesa", afirma a professora Maria Luiza.
De acordo com a professora e gestora do Museu da Piedade Anarleide Menezes, “a palestra e o documentário representam o passo inicial para o aprofundamento da pesquisa e a consequente valorização das famílias participantes, na exposição realizada pelo Museu.”