Os alunos José Wildes Barbosa dos Santos, Karine Orrico Góes e Luziléa Brito de Oliveira, do Curso de Doutorado em Desenvolvimento e Meio Ambiente, da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), tiveram seus trabalhos destacados no Simpósio Internacional de Mudanças Climáticas: impactos e vulnerabilidades no Brasil 2012, após apresentações realizadas na cidade de Natal, Rio Grande do Norte.
O evento teve como tema central “Preparando o Nordeste Brasileiro para o Futuro”, com o objetivo de incentivar a formação de recursos humanos e a geração de pesquisas na Região Nordeste direcionados para as ciências do clima. E, por meio de duas vias – avanço do conhecimento e transferências, estimular atividades de cooperação nacional e internacional, com foco nas mudanças climáticas do planeta e adaptações para eventos climáticos extremos decorrentes tanto da variabilidade natural do clima, quanto por indutores humanos que podem transformar o meio ambiente.
Iniciativa conjunta do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Simpósio reuniu pesquisadores e estudiosos das questões climáticas de vários países.
Bacia do Rio Cachoeira - “Avaliação Temporal da Precipitação/Vazão na Bacia Hidrográfica do Rio Cachoeira - Sul da Bahia” foi o trabalho apresentado pelo doutorando e engenheiro-agrônomo José Wildes, também professor no curso de Engenharia Ambiental da UESB (Campus Itapetinga). A primeira parte do trabalho foi apresentada na Alemanha, em 2007, pelo seu orientador, professor doutor Neylor Calasans. E agora, numa versão atualizada, reapresentado no CCIV-2012, obtendo destaque entre os participantes do evento.
A partir do princípio de que o uso do solo foi consideravelmente modificado pelo homem, a partir da década de 50, na Bacia Hidrográfica do Rio Cachoeira, o objetivo do estudo foi “analisar a série de precipitações e vazões e as mudanças do uso da terra na referida bacia hidrográfica”. Numa avaliação de caráter exploratório, analisou dados coletados entre 1966 e 2003 e “verificou que as precipitações não apresentaram tendência negativa “, no período citado, “e sim, em algumas décadas, a tendência tem sido ligeiramente positiva”. Quanto às vazões, “a análise estatística das séries fluviométricas apontam tendência negativa a partir da década de 80, sugerindo que esse fato possa estar associado a fatores como a mudança no uso da terra e não à diminuição das chuvas”, afirma o estudo.
Meteorologia e Saúde Infantil - “A Biometeorologia Urbana e os Agravos de Doenças do Aparelho Respiratório” foi o projeto de pesquisa apresentado por Karine Orrico Góes, fisioterapeuta, mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente(UESC) e professora da UESB (Campus de Jequié) no curso de Fisioterapia. A doutoranda “pretende relacionar os fatores associados aos agravos à saúde infantil como derivados das condições meteorológicas e qualidade do ar, identificando grupos socioeconomicamente vulneráveis, visando subsidiar a proposição de sistemas de alerta, de procedimentos de conduta e de atendimento emergencial à população infantil.”
A pesquisa será desenvolvida em Vitória da Conquista, terceira maior cidade da Bahia, onde “as doenças do aparelho respiratório representaram, em 2011, 24,5% das causas de internações, sendo que em crianças, com menos de um ano, foi de 51,1% e de 63,8% entre aquelas de um a quatro anos de idade.”
Produção de Biodiesel - O terceiro trabalho, “Balanço Energético e Emissões de Gases Estufa da Cultura de Pinhão-manso para a Produção de Biodiesel”, foi realizado por Luziléa Brito de Oliveira, contabilista, com mestrado em Bioenergia e doutoranda em Desenvolvimento e Meio Ambiente. Considerando que “o pinhão-manso aparece no cenário atual como uma oleaginosa promissora para o desenvolvimento da cadeia produtiva do biodiesel“, o objetivo da pesquisa “foi inventariar os gastos de energia, materiais e emissões, calcular o balanço energético e avaliação das emissões de gases provocadores do efeito estufa (GEE) na produção de óleo de pinhão-manso.”
Os números coletados por Luziléa Oliveira “apontam uma relação favorável entre a energia investida no processo produtivo e a contida no óleo de pinhão-manso, situando-se na faixa superior dos valores encontrados para a mamona e a colza na Europa e inferior à soja nos EUA”. Quanto “a energia líquida produzida por hectare, foi superior aos valores encontrados para a mamona. Com relação às emissões de GEE, os resultados demonstram que o uso energético do óleo estudado em substituição aos concorrentes fósseis, possibilita uma redução nas emissões de GEE entre 70-45%, sendo os tratos culturais o subsistema que mais emitiu gás de efeito estufa no ciclo de vida do óleo. O trabalho conclui que “o óleo de pinhão-manso apresenta potencial de uso energético e de contribuição às políticas de mitigação das mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável”. O estudo baseou-se em estudo de uma propriedade rural do município de Vitória da Conquista, no semiárido baiano.