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Estudo brasileiro revela como variantes recentes da COVID-19 desafiam a imunidade infantil — e destaca o papel de jovens pesquisadoras das regiões Sul e Oeste da Bahia

A biomédica e virologista Milena Silva Souza, doutoranda do PPGBBM-UESC e integrante do Instituto de Virologia do Oeste da Bahia (IVOB/UFOB), sob orientação do Dr. Jaime Henrique Amorim, acaba de publicar, junto à co-primeira autora Dra. Jéssica Pires Farias (USP/FAPESP), um estudo de grande relevância sobre a imunidade de crianças frente às variantes mais recentes do SARS-CoV-2.

O trabalho, desenvolvido em colaboração com pesquisadores da USP, UNIFESP, Hospital Israelita Albert Einstein, UFPE, UNIFESP, e outras instituições, foi publicado na revista internacional Expert Review of Vaccines, uma das mais importantes da área de vacinologia.

Em decorrência dos achados desta pesquisa, Milena atualmente realiza um doutorado sanduíche na Universidade de Verona, sob supervisão do Dr. Donato Zipeto. Esta etapa internacional é crucial para o aprendizado e aplicação de uma nova técnica, visando dar continuidade e expandir o estudo da resposta imunológica às variantes do SARS-CoV-2, fortalecendo ainda mais a integração científica Brasil–Itália.

O que o estudo investigou?

O objetivo foi avaliar a resposta humoral, isto é, anticorpos e sua capacidade de neutralizar o vírus, em crianças e adolescentes que receberam as vacinas de primeira geração, ainda baseadas no vírus original de 2020. Foram testadas três versões do vírus: Vírus ancestral (Wuhan), Omicron BA.1 (Omicron original), Omicron JN.1, a variante mais recente e predominante no período do estudo. Além disso, a equipe realizou uma análise computacional detalhada para entender como as mutações das variantes afetam os “alvos” reconhecidos por anticorpos.

Principais achados e o que eles significam:

Os resultados mostraram que as crianças vacinadas apresentaram bons níveis de anticorpos contra o vírus original, refletindo a eficácia das vacinas em induzir memória imunológica para aquela cepa. Entretanto, a capacidade desses anticorpos de neutralizar variantes como BA.1 e, principalmente, JN.1 foi reduzida, devido ao intenso acúmulo de mutações nessas versões mais recentes do vírus.

Esses achados não significam que as crianças estejam “sem proteção”. A imunidade contra vírus respiratórios é multicamadas: envolve anticorpos, mas também respostas de células T e B de memória, que não foram avaliadas neste estudo e podem continuar oferecendo proteção importante contra formas graves da doença. O que o estudo evidencia, de forma responsável, é que a parte da imunidade baseada em anticorpos neutralizantes responde menos às variantes mais novas, um sinal de que vacinas atualizadas poderiam aprimorar essa resposta, como já observado em adultos.

O que a análise de epítopos revelou?

Usando imunoinformática, o grupo mostrou que o vírus ancestral possuía 465 epítopos conservados reconhecidos por anticorpos neutralizantes. Em Omicron BA.1 caiu para 49. Em JN.1 caiu para 41, apenas! Isso ajuda a explicar a diminuição da neutralização: as variantes recentes “redesenharam” boa parte dos alvos reconhecidos pela imunidade induzida pelas vacinas antigas.

Ciência colaborativa feita no interior da Bahia com alcance internacional

Este estudo representa:

  • a força crescente do IVOB/UFOB como polo de virologia no Brasil;
  • a qualidade da formação científica de jovens pesquisadoras como Milena e Jéssica;
  • e a importância de redes integradas de pesquisa envolvendo USP, UNIFESP, Einstein, UFPE, UESC e parceiros internacionais.

O que podemos concluir?

O estudo indica, com base na resposta de anticorpos, que vacinas pediátricas atualizadas podem melhorar a neutralização de variantes como JN.1, como já demonstrado em adultos vacinados com formulações recentes, mais atualizadas.

Clique e leia o artigo completo.



O Colegiado informa que o PPGBBM migrou da Área de Ciências Biológicas I (CB1) para a de Biotecnologia na CAPES, a qual possui a característica de interação com empresas e indústrias com a geração de processo, produtos e, ou serviços aprimorados para a sociedade, além da produção científica (artigos, livros e capítulos de livros) com participação discente requerida habitualmente pelo sistema nacional de pós-graduação brasileiro.

Informações sobre a área de avaliação em Biotecnologia da CAPES podem ser obtidas no link abaixo:
http://uab.capes.gov.br/avaliacao/sobre-as-areas-de-avaliacao/76-dav/caa4/4654-biotecnologia

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Realizado na Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), pelo Programa de Pós Graduação em Biologia e Biotecnologia de Microrganismo (PPGBBM), o Simpósio de Microbiologia & Biotecnologia traz anualmente a difusão do conhecimento científico na área de biotecnologia, microbiologia, inovação e empreendorismo.

Buscando estreitar laços quanto a importância do desenvolvimento de pesquisas e a sua entrega para a comunidade, esse ano o V SIMBI terá como tema: Microbiotecnologia & Sociedade. O Simpósio, a ser realizado por discentes, docentes e orientadores do PPGBBM, contará com a participação de membros de instituições externas fortalecendo a rede de comunicação/parceria.

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