História de Africanos para contar na sala de aula

Apresentação

Diante de graves problemas históricos de racismo, feminicídio, exclusão das populações negras dos espaços escolares nasceu a proposta deste projeto de pesquisa em História e Educação vinculada ao Departamento de Ciências de Educação. O objetivo central é discutir como ainda na formação em licenciaturas na universidade as pesquisas devem colaborar para que os futuros docentes atuem com mais consciência histórica, antirracista, e decolonial oferecendo-lhes novas perspectivas temáticas de ensino.

Neste caso em especifico, esta pesquisa mapeia, seria e transcreve documentos variados como arquivos judiciais e jornais de fins do século XIX e início do XX.

Destas fontes extrai-se histórias de vida, luta, mundos do trabalho e resistências cotidianas que atestam que as mulheres negras, afro-latinas, afro-diaspóricas tem exemplos singulares que a escola, o currículo e o livro didático não abordam.

No entanto, nossa população é de maioria negra com alarmantes índices de violências, feminicídios, racismos e em contrapartida mesmo como afrodescendentes ignoramos as lutas dessas mulheres que não aceitavam passivamente estas condições no passado.

Em suma, a pesquisa deve transformar-se em conteúdos e sequências didáticas voltadas para o ensino e que valorizem as mulheres, as narrativas negras que corroborem para autoestima, autonomia e cidadania de modo interdisciplinar nas licenciaturas de História, Pedagogia, Letras.
Sob a ideia principal de um ensino e currículo decolonial, este projeto de pesquisa discute a importância de trajetórias singulares de professoras (es) negras, lideranças comunitárias e minorias cujas atuações figurem na memória coletiva em diferentes espaços, sejam eles formais ou não formais. 
Busca-se o estudo daqueles que protagonizaram lutas complexas no campo seja da docência formal ou em espaços não – formais, incluindo os religiosos, políticos ou em manifestações culturais que concorram para a afirmação de identidade sexual e/ou cultural. Para isso, agrega o valor de diferentes documentações na reconstrução dessas memórias coletivas como a oralidade, etnografia, autobiografias, cartas, processos crimes, cíveis, jornais e outros registros oficiais ou não como fontes.  O presente projeto de pesquisa está estruturado em duas fases: a primeira debruça-se sobre os africanos que viveram no sul baiano colonial tomando como data limite 1822. Inicialmente a primeira parte do projeto privilegia essa temporalidade por compreender que neste período ainda era possível mapear etnias africanas, cultura material, nomenclaturas atribuídas e sobretudos suas práticas culturais recorrendo a uma gama variada de fontes documentais. E permitirá ainda construir bases para que na parte II do projeto (1823-1888) cuja documentação é mais farta, legível e acessível pois se ocupa do período imperial, os objetivos de produzir uma obra voltada para sala de aula com estas histórias afro-atlânticas já tenham alcançado as salas de aula regionais.

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