A história da Universidade Aberta à Terceira Idade – UNATI/UESC não começa apenas com a Resolução que formalizou sua criação. Ela é resultado de um processo construído no âmbito da extensão universitária e das reflexões sobre o envelhecimento que vinham sendo desenvolvidas na Universidade Estadual de Santa Cruz. Antes de se constituir como programa institucional, a proposta foi sendo gestada por meio de experiências, estudos, projetos e ações voltadas às pessoas com mais de 50 anos.
Nossa Linha do Tempo
Os Primeiros Passos e a Universidade Sem Fronteiras
A partir de 1998 foram desenvolvidas ações de extensão direcionadas à população em processo de envelhecimento. Essas primeiras experiências evidenciaram a necessidade de ampliar os espaços de participação das pessoas idosas na universidade e de construir uma proposta interdisciplinar capaz de articular diferentes áreas do conhecimento às experiências concretas de envelhecer.
Nesse percurso, ganha destaque a atuação da professora Raimunda Silva d’Alencar, do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas, cuja iniciativa foi fundamental para a construção do projeto de extensão “Universidade Sem Fronteiras: a Terceira Idade", ponto de partida para a criação da UNATI.
Também nesse período, destaca-se a participação da professora Renée Albagli Nogueira, então Reitora da UESC, nas primeiras ações voltadas à população idosa. Sua presença contribuiu para fortalecer institucionalmente a aproximação da Universidade com esse segmento da comunidade, criando condições para que as experiências extensionistas pudessem avançar em direção a uma proposta mais ampla e permanente.
A Elaboração do Projeto
A experiência acumulada levou à elaboração de uma proposta mais ampla e permanente. Em 2002, o Núcleo de Estudos do Envelhecimento submeteu ao Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão – CONSEPE o projeto de criação da Universidade Aberta à Terceira Idade. A proposta pretendia transformar as experiências extensionistas já realizadas em uma ação permanente da Universidade, articulada à Pró-Reitoria de Extensão.
Esse movimento revela uma concepção importante: a universidade não deveria ser compreendida apenas como espaço destinado à formação profissional de jovens. Ela também poderia constituir-se como lugar de aprendizagem, convivência, produção de conhecimento, atualização cultural e participação para pessoas que já haviam percorrido diferentes etapas de suas vidas.
Institucionalização Oficial
Essa concepção foi institucionalizada pela Resolução CONSEPE nº 03/2004, de 27 de janeiro de 2004, que criou oficialmente a Universidade Aberta à Terceira Idade e aprovou seu regulamento. A Resolução estabeleceu uma concepção de UNATI profundamente vinculada à educação ao longo da vida, objetivando priorizar as potencialidades da pessoa idosa ou envelhecente por meio do acesso a recursos educacionais, atividades artísticas, corporais e produtivas, além da promoção da sociabilidade.
O regulamento também estabelece uma dimensão significativa: a criação de um espaço de convivência intergeracional. A UNATI deveria funcionar por meio de múltiplas atividades de ensino, pesquisa e extensão, envolvendo disciplinas, cursos e ações comunitárias.
A partir do segundo semestre de 2004, a UNATI, efetivamente, fica sob orientação da Pró-Reitoria de Extensão da UESC, deixando a estrutura do Núcleo de Estudos do Envelhecimento e consolidando-se como uma ação permanente da Universidade.
A Universidade como Espaço de Novas Experiências e Afeto
A trajetória da UNATI pode ser compreendida pelas experiências de seus participantes. O trabalho de Miguel Arturo Chamorro Vergara, sobre "A afetividade entre idosos que frequentam a universidade aberta à terceira idade", destaca a dimensão afetiva produzida pela convergência entre vivências passadas e presentes. Frequentar a universidade na maturidade significa ocupar novos espaços, estabelecer vínculos e atribuir novos sentidos à própria velhice.
Desse modo, conhecimento e convivência tornam-se dimensões inseparáveis. A sala de aula, a oficina e a atividade corporal constituem espaços de aprendizagem, amizade e pertencimento. A UNATI distancia-se do assistencialismo, compreendendo que a maturidade é período de criação e novos projetos.
Esta é uma trajetória construída por muitas mãos. A UNATI resulta de uma rede de coordenadores, professores, voluntários e, sobretudo, dos participantes. A relação educativa torna-se uma experiência de reciprocidade: a universidade aprende com quem aprende.
Consolidação do Formato Interdisciplinar
Nos últimos dez anos, a trajetória da UNATI foi marcada pela consolidação e pelo fortalecimento de seu caráter interdisciplinar. Sob a coordenação da professora Maria Aparecida Aguiar, o Programa ampliou e diversificou suas ações, reunindo diferentes áreas do conhecimento, linguagens, práticas e experiências em uma proposta voltada à aprendizagem, à convivência, à cultura, à criatividade e à qualidade de vida.
Nesse período, a UNATI fortaleceu um formato que articula educação, arte, cultura, corpo, saúde, memória, tecnologia, lazer e participação social, reconhecendo que o envelhecimento é uma experiência plural e que diferentes saberes podem contribuir para a construção de novas possibilidades na maturidade.
A atuação da professora Maria Aparecida Aguiar foi importante para a continuidade e a consolidação desse formato, mantendo a UNATI como espaço aberto à participação, à troca de experiências e à construção coletiva de conhecimentos.
A UNATI na Atualidade: Novas Janelas para a Maturidade
Atualmente, a UNATI preserva os princípios construídos ao longo de sua história. A programação reúne diferentes áreas e experiências, como filosofia, artes, línguas, literatura, tecnologia, práticas corporais, esporte, saúde, agroecologia, alimentação e cultura. Essa diversidade reafirma a concepção da UNATI como espaço de aprendizagem ao longo da vida, convivência, criação, participação e descoberta de novas possibilidades.
Segundo a sua atual Coordenadora, prof Jussara Moreira, “Da experiência pioneira aos dias atuais, a UNATI/UESC permanece como uma universidade aberta ao conhecimento, à convivência e à vida. Mais do que uma universidade para a terceira idade, afirma-se como um espaço de educação, cultura, participação e novas experiências, reconhecendo que envelhecer também significa continuar aprendendo, criando, convivendo e abrindo novas janelas para a maturidade” como sempre é lembrado pela professora Maria Aparecida Aguiar.











