Nome científico: Lippia alba (Mill.) N.E. Brown
Família: Verbenaceae
Nomes populares: Cidreira, Erva-cidreira, Erva-cidreira-brasileira, Melissa, Falsa-melissa, Chá-de-tabuleiro, Cidrila, Erva-cidreira-de-arbusto, Alecrim-selvagem, Cidreira-brava, Erva-cidreira-do-campo, Carmelitana, Salva, Salva-do-brasil, Salva-limão, Alecrim-do-campo, Salva-brava, Sálvia.
Origem: amplamente distribuída nas Américas, ocorrendo no sul dos Estados Unidos, México, Mesoamérica, Venezuela, Equador, Perú, Bolívia, Brasil, Argentina e Antilhas. No Brasil ocorre em todas as grandes regiões do país, com distribuição em todos os estados brasileiros, à exceção do DF. É mais frequente na região amazônica, onde ocorre em bancos de areia ao longo dos rios. Predomina em ambientes antrópicos, caatinga (sensu strictu), floresta ciliar ou galeria, floresta ombrófila, restinga e palmeiral. Estudos recentes sugerem que sendo o Cerrado o centro de maior diversidade do gênero Lippia, este provavelmente seria o centro de diversidade desta espécie.
Características gerais - subarbusto de morfologia variável, alcançando até um metro e meio de altura, raramente dois metros, nativa de quase todo o território brasileiro. Seus ramos são finos, longos, densamente folhosos e arqueados. Folhas simples, opostas ou alternas, membranáceas, serreadas e ápice agudo, de 3-6 cm de comprimento. Flores arroxeadas, reunidas em inflorescências axilares capituliformes de eixo curto e tamanho variável.
Usos - A literatura etnofarmacológica registra o uso do chá de cidreira em todo o Brasil, tanto por seu sabor agradável como pela ação calmante atribuída pela medicina tradicional brasileira, sendo atualmente uma das plantas medicinais mais populares e comercializadas em feiras e lojas de produtos naturais no Brasil devido à sua versatilidade e aroma peculiar. Nas práticas medicinais caseiras o chá é preparado com folhas frescas e água fervente (infusão), podendo ser ingerido 2 a 3 vezes ao dia após as refeições. Além da ação calmante suave, o chá (infuso) das folhas é empregado para o tratamento de problemas digestivos, como cólicas, flatulência e má digestão. Em função de sua eficácia e segurança o seu uso é um dos poucos já validados cientificamente, sendo incluída na Farmacopeia Brasileira e recomendada pelo Ministério da Saúde como fitoterápico de uso em toda rede de saúde (SUS). Estudos realizados mostraram que esta espécie possui uma considerável variabilidade na composição química de seu óleo essencial, o que levou os pesquisadores a definirem a existência de "quimiotipos" ou raças químicas com diferentes propriedades e aromas, como o de carvona (aroma de hortelã), citral (aroma de limão) ou de mirceno/limoneno (aroma mais seco), possuindo, potanto, também ações antiespasmódica, estomáquica e carminativa. O teor e a composição do óleo essencial variam de acordo com a idade da planta e da época da colheita, o que tem sido objeto de diversos estudos agronômicos e químicos para garantir o padrão de qualidade da erva. Não se recomenda seu uso por pessoas com hipotensão arterial (pressão baixa). É importante salientar que, embora seja uma planta considerada segura para uso humano em doses terapêuticas recomendadas, as gestantes devem evitar seu consumo, como medida de precaução geral para fitoterápicos. Outros estudos evidenciam potencial antisséptico para uso externo em ferimentos e inflamações de pele, no entanto, para estes fins, ainda se aguarda maiores comprovações por ensaios clínicos mais amplos.
Método de cultivo - As mudas podem produzidas a partir de estacas (geralmente em produções industriais) em saquinhos de polietileno, tubetes, copinhos de plástico ou jornal e garrafas PET, utilizando substrato do tipo: solo, areia e esterco curtido na proporção de 3:2:1, respectivamente. As mudas devem ser plantadas no campo, no início do período chuvoso, no espaçamento de 1,5 x 1,0m ou 1,0 x 0,5m. A planta se adapta bem a vários tipos de solos, com preferência por aqueles com boa drenagem, podendo ser plantada como bordadura de hortas. Na escolha do espaçamento para o plantio das mudas, deve-se considerar o tipo de hábito de crescimento da planta: ereto, prostrado ou decumbente. Sugere-se o plantio em covas com 30x30x30cm de largura, comprimento e profundidade, respectivamente, mas também pode ser feito num espaçamento de 50 x 70 cm entre plantas, ambas as proporções de espaçamento adubadas com dois a três a litros de esterco de curral curtido, de aves ou de composto orgânico.
Curiosidades - É comumente confundida com a Melissa officinalis, a Erva-cidreira nativa da Europa, Mediterrâneo e Ásia, de porte baixo e rasteiro (geralmente até 60 cm), com folhas ovais, macias, bordas serrilhadas e superfície enrugada; caules quadrangulares e que contém predominantemente no seu óleo essencial: citral, citronelal, geraniol e flavonóides como a quercetina; e é autorizada pela ANVISA a ser vendida nos supermercados como alimento/chá comum, e não como “droga vegetal para fins medicinais”.
Presença de outras espécies com mesmo nome popular no Horto de Plantas Medicinais da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) - Cidreira = Melissa officinalis, Lippia alba e Cymbopogon citratus; Melissa = Melissa officinalis, Lippia alba
Referências:
LORENZI, Harri; MATOS, Francisco José de Abreu. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 3. ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2021.
PETRISOR, G. et al. Melissa officinalis: Composition, Pharmacological Effects and Derived Release Systems - A Review. International Journal of Molecular Sciences, [s. l.], v. 23, n. 7, p. 3591, mar. 2022. Disponível em: https://doi.org/10.3390/ijms23073591. Acesso em: 4 maio 2026.
SANTOS, Maria Tereza Stephens et al. Estudo morfo-anatômico entre os caules de Lippia alba e Melissa officinalis. Revista Brasileira de Farmacognosia, [s. l.], v. 14, p. 15-18, 2004. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/247854333_Estudo_morfo-anotomico_entre_os_caules_de_Lippia_alba_e_Melissa_officinalis. Acesso em: 4 maio 2026.
VIEIRA, R. F. et al. Plantas medicinais da Região Centro-Oeste. In: Estratégias para conservação e uso sustentável da biodiversidade da região Centro-Oeste. Brasília, DF: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, 2017. p. 384-395. Disponível em: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1073452/1/regio-centro-oeste-26-07-20171-384-395.pdf. Acesso em: 3 maio 2026.











