Uesc -Universidade Estadual de Santa Cruz

FUNCHO

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Nome científico: Foeniculum vulgare Mill.

Família: Apiaceae

Nomes populares: Erva-doce, Erva-doce-brasileira, Erva-doce-de-cabeça, Falsa-erva-doce, Falso-anis, Fiolho, Fiolho-de-florena, Fiolho-doce, Funcho, Funcho-bastardo, Funcho-comum, Funcho-doce, Funcho-italiano, Funcho-vulgar

Origem: Originário do Norte da África, da Ásia Ocidental, da Ásia Central e da região do Cáucaso, com ampla naturalização e difusão histórica a partir da Europa.

Características gerais - Erva perene ou bianual, entouceirada, aromática, de 40-90 cm de altura, amplamente cultivada em todo o Brasil. Folhas inferiores alargadas de até 30 cm de comprimento e superiores mais estreitas, com pecíolo alargado como bainha que envolve o caule, compostas pinadas, com folíolos reduzidos a filamentos. Flores pequenas, hermafroditas, de cor amarela, dispostas em umbelas (arranjo em que vários pedicelos - pequenas hastes que seguram cada flor individualmente - partem de um mesmo ponto central, como as varetas de um guarda-chuva aberto) compostas por 10-20 umbelas menores. Os frutos são alongados, compostos por dois aquênios (tipo de fruto seco, que contém apenas uma única semente no seu interior) de cerca de 4 mm de comprimento.

Usos - A base da haste (o bulbo) é empregada na culinária como legume, enquanto os frutos, vulgarmente chamados de sementes, têm sido empregados desde a mais remota antiguidade na forma de chá medicamentoso nos casos de problemas digestivos, como estimulante das funções digestivas, para eliminar gases, combater cólicas e estimular a lactação. Em sua composição química destaca-se o óleo essencial constituído principalmente de anetol (90-95%), que lhe confere o sabor e odor característicos do funcho, acompanhado de menores quantidades de metilchavicol, anisaldeído linalol e outros derivados terpênicos oxigenados. Ocorre também óleo fixo, proteínas, carboidratos, ácidos málico, caféico e clorogênico, além de cumarinas, flavonóides e esteróides. Suas propriedades, determinadas através de ensaios laboratoriais mostraram atividade inseticida e antifúngica semelhante ao anetol, além de ser estimulante das funções digestivas, carminativo e espasmolítico; em uso concomitante com substâncias anticancerígenas evitou o aparecimento das reações secundárias próprias da quimioterapia (OBS: para utilizar essa planta em conjunto com a quimioterapia, é necessária a autorização e o acompanhamento de um médico responsável). A luz solar provoca a transformação do trans-anetol, não tóxico, em cis-anetol que é tóxico, com formação de dianetol e fotoanetol, que têm atividade estrogênica o que, de certo modo, explica a utilização desta planta nos casos de distúrbios menstruais e como galactagogo. O óleo essencial é empregado em farmácia para conferir sabor e odor agradáveis a medicamentos e em confeitaria na fabricação de licores e guloseimas. OBS: apesar de ser um fitoterápico tradicional seguro em doses moderadas de uso culinário/caseiro, o uso concentrado (como óleos essenciais puros ou chás excessivamente fortes) deve ser evitado por gestantes, devido à atividade estrogênica de alguns de seus derivados (como o fotoanetol e dianetol).

Método de cultivo - Adapta-se bem em diversos climas, com preferência para regiões temperadas com verões quentes, não resistindo às geadas. Cresce bem em locais com luz solar direta e solos profundos, não muito argilosos, férteis e bem drenados. A adubação nitrogenada favorece o aumento do teor de essências nos frutos, recomendando-se uma adubação com esterco de gado bem curtido, esterco de aves ou composto orgânico, quando necessário. Os frutos devem ser colhidos antes do amadurecimento devido às perdas na época da maturação e é muito importante dimensionar a área de produção segundo a mão-de-obra disponível, pois é uma atividade que requer um trabalho intenso.

Curiosidades - Existe divergência na literatura nacional em relação à origem dessa espécie. Enquanto bases de dados de fomento agrícola (como a Embrapa) apontam o sudoeste asiático como o centro de origem botânica da espécie, guias de plantas medicinais, como o livro “Plantas Medicinais do Brasil”, frequentemente a listam como nativa da Europa devido ao seu histórico de domesticação e introdução no Brasil a partir do continente europeu.

Referências:

LORENZI, Harri; MATOS, Francisco José de Abreu. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2. ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008.

VAZ, Ana Paula Artimonte; JORGE, Marçal Henrique Amici. Funcho. Corumbá: Embrapa Pantanal; Campinas: Embrapa Transferência de Tecnologia, nov. 2006. 1 folheto (Série Plantas Medicinais, Condimentares e Aromáticas). Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/812784/1/FOL87.pdf. Acesso em: 18 jul. 2026.