Nome científico: Plectranthus amboinicus (Lour.) Spreng.
Família: Lamiaceae
Nomes populares: Hortelã-grosso, Hortelã-de-folha-graúda, Hortelã-da-bahia, Malva-do-reino, Malva-de-cheiro, Malvarisco, Malvariço, Malvaísco, Hortelã-graúda, Hortelã-grande, Erva-de-capitão
Origem: É originária da Ilha de Amboino na Nova Guiné.
Características gerais - erva grande perene, ereta, muito aromática, tomentosa, semicarnosa, atinge de 40 cm a 1 metro de altura. Folhas deltóide-ovais, de base truncada e margem denteada, quebradiças, com nervuras salientes no dorso, medindo 4 a 10 cm de comprimento. Suas flores são azulada-claras ou róseas, em longos ramos interrompidos que só aparecem quando a planta é cultivada em locais de clima ameno, o que não acontece em Ilhéus.
Usos - É cultivada em todos os países tropicais e subtropicais, inclusive no Brasil em hortas caseiras para fins medicinais. Em vários países esta planta é considerada um bom substituto do orégano em saladas e massas. Informações etnofarmacológicas referem o uso de suas folhas na preparação de xaropes caseiros para tratamento da tosse, dor de garganta e bronquite, conhecido como lambedor-de-malva e no tratamento de feridas por leishmaniose cutânea; referem também o uso do líquido extraído da trituração (sumo) das folhas como medicação oral para problemas ovarianos e uterinos, inclusive nos casos de cervicite. O xarope ou lambedor, no dizer popular nordestino, é preparado aquecendo-se várias folhas frescas diretamente com chama baixa, com açúcar disposto em camadas alternadas até tornar líquida toda esta mistura, ao qual se pode adicionar enquanto quente, o cozimento (decocto) de chambá (Justicia pectoralis), o que tende a melhorar sua eficácia. As balas ou pirulitos contra tosse e dor de garganta são preparados com o xarope apurado da maneira convencional. Toma-se o xarope na dose de uma ou duas colheres das de sopa até três vezes ao dia. As balas, pirulitos ou as folhas inteiras podem ser usados um a um, até seis por dia. O suco deve ser bebido em jejum, por até três semanas. Sua análise fitoquímica registra a presença de óleo essencial rico em timol e sesquiterpenos, mucilagem, quercetina, luteolina e diversos outros flavonóides e alguns ácidos triterpênicos. Em recente estudo neurofarmacológico o extrato das folhas mostrou interessante ação antiepiléptica. Apesar da escassez de estudos de avaliação de sua eficácia e segurança, vem sendo usada como medicação anti-inflamatória e para o tratamento da tosse e bronquite com base na tradição popular. Entretanto, considerando a presença do timol em seu óleo essencial, justifica-se o uso das folhas como antisséptico bucal e para tratamento de feridas, enquanto os flavonóides podem ser os responsáveis por sua ação anti-inflamatória.
Método de cultivo - É facilmente multiplicada por estaquia e tem crescimento rápido, mas, apesar de perene, exige replantio a cada 2 anos em novo local para obter sempre uma ótima vegetação. Ela cresce facilmente em locais bem drenados e com sombra parcial, cresce melhor em solo rico em composto orgânico, com pH neutro e alta umidade, mas deve ser regada com moderação, pois o excesso de água no solo pode causar o apodrecimento de suas raízes. Por outro lado, tolera bem secas severas, pois armazena muita água em sua polpa suculenta. Também sobrevive bem ao calor intenso e ao sol forte, bem como à sombra densa, mas cresce melhor em meia-sombra. Por todos esses motivos, é muito fácil cultivá-la em ambientes internos
Curiosidades - Parece muito com o Boldo-santa-bárbara (Plectranthus barbatus Andrews), da qual difere por possuir folhas não flexíveis, quebradiças e sem o sabor amargo próprio desta última. Essa planta raramente produz sementes, por isso é preferencialmente multiplicada por estaquia. Há uma forma cultivada com folhas variegadas, cujas bordas possuem um tom entre o branco e o creme (contrastando com o verde presente em todo o resto das folhas), que são usadas ocasionalmente como planta ornamental.
Presença de outras espécies do mesmo gênero (Plectranthus) no Horto de Plantas Medicinais da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) - Plectranthus grandis (Boldo-da-folha-grande), Plectranthus neochilus (Boldo-miúdo) e Plectranthus barbatus (Boldo-santa-bárbara)
Referências:
ARUMUGAM, G.; SWAMY, M. K.; SINNIAH, U. R. Plectranthus amboinicus (Lour.) Spreng: Botanical, Phytochemical, Pharmacological and Nutritional Significance. Molecules, [s. l.], v. 21, n. 4, p. 369, 30 mar. 2016. Disponível em:https://doi.org/10.3390/molecules21040369. Acesso em: 25 maio 2026.
LORENZI, Harri; MATOS, Francisco José de Abreu. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 3. ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2021.











