Uesc -Universidade Estadual de Santa Cruz

Horto Florestal da Uesc

Hortelã-japonesa

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Nome científico: Mentha arvensis L.

Família: Lamiaceae

Nomes populares: Hortelã-japonesa, Hortelã-do-Brasil, Vique, Hortelã, Menta, Hortelã-pimenta, Hortelã-das-cozinhas, Menta-inglesa, Hortelã-brava, Hortelã-do-campo.

Origem: Possui ampla distribuição geográfica, sendo considerada nativa da Europa e de grande parte da Ásia (incluindo regiões temperadas e a Sibéria). Essa espécie tradicionalmente cultivada no Oriente, em especial no Japão, foi trazida para o Brasil por imigrantes daquele país. Seu cultivo foi aprimorado pelo Instituto de Química Agrícola do Rio de Janeiro, visando o fornecimento de mentol para o ocidente, interrompido com a guerra e, em 1942, o Brasil passou a produzir todo o mentol necessário para o consumo dos países aliados. É cultivada em larga escala no sudoeste do Brasil e no Paraguai para a produção de mentol e do óleo essencial parcialmente desmentolado. No nordeste do Brasil é mantida em pequenos cultivos caseiros para uso nas práticas de medicina popular com o nome comum “Vique”.

Características gerais - Erva anual ou perene, ereta, de 30 a 60 cm de altura, com folhas oval-oblongas ou oblongo-lanceoladas, levemente denteadas pubescentes e muito aromáticas, medindo de 2 a 7 cm de comprimento. Flores esbranquiçadas, reunidas em inflorescências terminais. Toda a planta tem odor e sabor mentolado forte.

Usos - Toda parte da planta é utilizada para fins medicinais, principalmente através de chás (infusões) ou uso direto das folhas e do óleo essencial (o seu princípio ativo). A literatura etnofarmacológica registra seu uso na medicina popular, atribuindo-lhe as propriedades antidispépticas, antivomitiva descongestionante nasal e antigripal, incluindo seu emprego de forma especial no caso de dor de cabeça e coceiras na pele. Ao cheirar lentamente as folhas e o óleo essencial, esses podem auxiliar para o descongestionamento nasal e para alívio do mal-estar respiratório do início da gripe, por causa do alto teor de mentol, porém, essa forma de tratamento não deve ser aplicada em excesso porque pode provocar paralisia respiratória, quando fortemente aspirado. Em casos de problemas gástricos, acompanhados ou não de vômito, costuma-se usar o chá do tipo abafado (infusão), preferencialmente gelado, preparado ao colocar uma certa quantidade das folhas da planta na água fervente e depois deixando em um recipiente coberto até o chá esfriar. Na ocorrência de dor de cabeça, costuma-se massagear as têmporas com algumas poucas gotas de óleo essencial ou utilizando as folhas frescas. Já em casos de coceiras na pele: costuma-se fazer compressas locais. A planta também é cultivada em larga escala para a extração de seu óleo essencial e o isolamento de componentes químicos. Na indústria farmacêutica, o óleo é aprovado mundialmente para tratar tosses, bronquite e inflamação na boca e faringe. Na indústria alimentícia é utilizado para conferir sabor e odor de menta a remédios e balas. Na indústria de cosméticos a planta é empregada em cremes de barbear, loções e cremes faciais para proporcionar sensação refrescante. Além disso, a planta é usada na formulação de pastas de dentes e enxaguantes bucais.

Método de cultivo - As plantas podem ser multiplicadas dos ramos ou por estaquia dos rizomas. Os canteiros devem ser renovados duas a três vezes ao ano ou após o período de floração. Plantar as mudas diretamente ou no saquinho, com espaçamento de 30 x 30 cm, em canteiros que recebam bastante luz. Usar adubo orgânico. A colheita deve ser realizada logo após a floração, aproveitando os estolões para novos plantios e a folhagem para extração do óleo essencial ou para outros fins.

Curiosidades - O mentol é o principal componente do princípio ativo, representando até 70% do óleo essencial, responsável pela sensação de refrescância e ação descongestionante e antisséptica (atenção: em excesso, sua aspiração forte pode causar paralisia respiratória). Terpenos (álcoois, cetonas e hidrocarbonetos): compostos que acompanham o mentol no óleo essencial e contribuem para a atividade antimicrobiana (contra bactérias e fungos) e colagoga (estimula a liberação de bile pela vesícula biliar para auxiliar na digestão). Beta-sitosterol e flavonóides: presentes nos extratos da parte aérea. Geralmente associados a propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes.

Presença de outras espécies do mesmo gênero (Mentha) no Horto de Plantas Medicinais da Universidade Estadual de Santa cruz (UESC) - Mentha villosa Huds. (Hortelã-miúda/rasteira) e cinco outras Mentha spp. (espécies ainda não identificadas).

Fontes:

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA (Embrapa). Hortelã-japonesa. Brasília, DF: Infoteca-e, [s.d.]. 1 arquivo PDF. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/984012/1/Folderhortelajaponesa.pdf. Acesso em: 19 mar. 2026.

LORENZI, Harri; MATOS, Francisco José de Abreu. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 3. ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2021.