Uesc -Universidade Estadual de Santa Cruz

Horto Florestal da Uesc

JAMBU

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Nome científico: Acmella oleracea (L.) R.K.Jansen

Família: Asteraceae

Nomes populares: Jambu, Agrião-do-pará, Agrião-do-norte, Agrião-do-brasil

Origem: Região Amazônica, principalmente no Estado do Pará. A planta é amplamente cultivada em hortas domésticas, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do país, tanto para uso na medicina caseira como na culinária, sendo inclusive comercializada nas feiras regionais destas regiões.

Características gerais - Herbácea perene, aromática, esparso-pubescente, de ramos arroxeados decumbentes, de 30-40 cm de altura. Folhas simples, membranáceas, pecioladas, de 3-6 cm de comprimento. Flores amarelas pequenas, dispostas em capítulos solitários, longo-pedunculados, axilares e terminais. Frutos secos do tipo aquênio que se comportam como sementes.

Usos - É umas das verduras mais típicas das feiras da Amazônia, havendo oferta o ano inteiro. O Jambu é muito utilizado em receitas ou como anestésico natural. Tradicionalmente é utilizado em pratos típicos, como o tacacá e o pato no tucupi, mas apresenta diversos outros usos culinários como suco (adicionar as folhas em sucos verdes com abacaxi) e os capítulos (flores) podem ser curtidos na cachaça. Além disso, as folhas e ramos tenros podem ser usados inteiros ou cortados na salada, para fazer pães, panquecas, guisados, sopas e patês verdes. O efeito típico do jambu é devido ao espilantol, que nas inflorescências chega a 2%, sendo menor a sua presença nas folhas. Esta substância propicia uma certa dormência na língua e lábios e induz a salivação (sialagoga). Utilizada inclusive pela indústria de creme dental e gomas de mascar no Japão e para creme facial no Brasil. A planta também é valorizada na medicina popular pelo seu efeito anestésico, sendo tradicionalmente usada para aliviar dores de dente e problemas na garganta.

Método de cultivo - Inicia-se com o preparo das mudas em sementeiras de 1,0 m de largura e 15 cm de altura. O substrato deve ser uma mistura de terra preta destorroada com esterco (galinha ou gado) na proporção de 3:1, onde as sementes são depositadas em sulcos de 0,5 cm de profundidade e distanciados em 5 cm. A germinação ocorre entre o quarto e o oitavo dia, exigindo irrigações diárias (manhã e tarde) e limpeza manual para evitar plantas daninhas. Após a emissão de duas folhas definitivas, realiza-se o desbaste e, quando as mudas apresentam de quatro a seis folhas, são transplantadas para o canteiro definitivo. Os canteiros definitivos devem ser adubados com esterco de curral (8 l/m²) ou de galinha (4 l/m²), adotando-se um espaçamento de 20 cm x 20 cm, com quatro plantas por cova. As plantas são exigentes em água, requerendo irrigação por aspersão duas vezes ao dia em períodos secos, além de uma adubação complementar foliar e a manutenção do solo livre de ervas daninhas através da monda. Durante o cultivo, é necessário monitorar o aparecimento de grilos e paquinhas, que podem cortar as plantas após o transplantio. A colheita por arranquio ocorre aproximadamente aos 40 dias após a semeadura, podendo atingir um rendimento médio de 140.000 maços por hectare. Caso o objetivo seja a produção de sementes, as plantas devem florescer até que os botões florais adquiram uma tonalidade amarela escura, sendo então colhidos e postos para secar à sombra por um período de 7 a 15 dias.

Referências:

LORENZI, Harri; MATOS, Francisco José de Abreu. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 3. ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2021.

POLTRONIERI, M. C.; MÜLLER, N. R. M.; POLTRONIERI, L. S. Recomendações para a produção de jambu: cultivar Nazaré. Belém: Embrapa Amazônia Oriental, 2000. 13 p. (Circular Técnica, 11). 1 arquivo PDF. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/382634/1/ORIENTALCirTec11.pdf. Acesso em: 28 mar. 2026.