Uesc -Universidade Estadual de Santa Cruz

Espaço Ciência Saúde - Ano de publicação 2026

Educação Física

1. De que forma uma competição simulada de treinamento funcional de alta intensidade influencia o estresse, a recuperação e a potência muscular?

Resumo por: Fernanda Quéren dos Santos Silva

O Treinamento funcional de alta intensidade (HIFT) é uma prática esportiva multimodal que aprimora potência, força, capacidade aeróbica e desempenho funcional por meio de exercícios de alta intensidade realizados de forma intercalada, envolvendo movimentos funcionais e multiarticulares, como no crossfit. Com a popularização da modalidade e a inserção de competições, estudos têm sido desenvolvidos para compreender melhor a recuperação física, as lesões musculoesqueléticas e os fatores psicológicos relacionados a essa prática. Dessa forma, este estudo quase experimental, longitudinal de curta duração, com medidas repetidas, sem grupo controle e realizado em ambiente aplicado de campo, teve como objetivo avaliar como uma competição simulada de HIFT altera os níveis de estresse, a recuperação e a potência muscular dos participantes. Participaram 15 homens saudáveis, experientes nesse tipo de competição, expostos ao mesmo protocolo competitivo e comparados consigo mesmos ao longo de oito dias. Nos dois primeiros dias, foram realizadas duas sessões de treinamento HIFT; no terceiro dia, além do treinamento, foram avaliados os marcadores de potência dos membros inferiores, por meio do salto com contramovimento, e dos membros superiores, por meio do arremesso de medicine ball. No quarto e quinto dias, houve descanso, sendo aplicado, no primeiro dia desse período o questionário RESTQ-Sport via Google Forms que conta com escalas a serem pontuadas de 0 a 6 para perguntas relacionadas ao estresse geral, ao estresse específico, à recuperação geral e à recuperação específica, refletindo informações sobre as rotinas emocionais dos atletas durante o treinamento e suas vidas fora do ambiente de treinamento e competição. No sexto e sétimo dias, foi realizada a competição, com quatro WODs distribuídos em duas sessões por dia. No oitavo dia, o RESTQ-Sport foi reaplicado. Os resultados mostram aumento moderado de queixas somáticas, estresse geral e estresse específico, enquanto a recuperação geral diminuiu. Também houve redução moderada na percepção de sucesso e na qualidade do sono. A potência dos membros inferiores apresentou pequenas variações, sem perdas significativas, enquanto o desempenho no arremesso de medicine ball aumentou em alguns momentos, provavelmente devido ao fenômeno de potencialização pós-ativação (PAPE). O estudo conclui que a competição simulada de HIFT é capaz de induzir aumento dos níveis de estresse geral e específico, sem causar alterações significativas na potência dos membros inferiores, e com melhora, em alguns momentos, da potência dos membros superiores. Além disso, destaca a importância de treinadores e atletas monitorarem as variáveis que podem influenciar o desempenho, especialmente em competições em dias consecutivos.

Referência bibliográfica: DE SOUZA BARBOZA, Paulo Vitor et al. How does a simulated high-intensity functional training competition influence on stress, recovery and muscle power? Frontiers in Sports and Active Living, v. 7, p. 1734355, 5 jan. 2026

Artigo completo: https://doi.org/10.3389/fspor.2025.1734355

2. Desafios no processo de escolarização em Feira de Santana: a Educação Física em pauta

Resumo por: Maria Eduarda da Silva Araújo Santos

Este artigo, publicado na revista Projeto História (2026), foi realizado por meio de revisões bibliográficas e pesquisa exploratória e qualitativa, no qual buscou compreender o processo de escolarização e a implementação do Ensino Superior do curso de Educação Física no município de Feira de Santana (BA). Analisou-se que o processo de inserção das escolas e a formação de profissionais formados na área aconteceu de forma lenta, enfrentando muitos desafios para conseguir atingir o seu objetivo e atender à demanda da cidade. Enquanto o sistema escolar se expandia, a formação superior na área demorou a se consolidar na Bahia, o que resultou na entrada tardia de professores com formação específica nas instituições de ensino do município. Além disso, o estudo discute como esse atraso impactou a qualidade do ensino, mostrando que, por um período significativo, a Educação Física foi ministrada por profissionais sem formação adequada ou com preparo insuficiente, refletindo limitações estruturais e políticas educacionais da época. A análise também destaca a importância da formação docente para a consolidação de disciplinas escolares e para a melhoria do processo educativo como um todo. Diante disso, podemos pontuar alguns desafios que levaram a dificuldade de tornar a escolarização uma realidade em Feira de Santana: A oferta de escolarização no município não dava conta da demanda de estudantes, especialmente porque as escolas também acolhiam uma parte significativa de estudantes de cidades circunvizinhas. Além disso, a escolarização era mais favorecida às pessoas com maior poder econômico, as bolsas de ensino privado (segundo alguns autores), eram usadas para fins políticos e a localização das escolas eram no centro da cidade, desfavorecendo os habitantes de áreas periféricas que também necessitavam de acesso à educação. De forma geral, o trabalho conclui que a organização da educação em Feira de Santana esteve marcada por desigualdades e atrasos na profissionalização docente, especialmente na Educação Física, evidenciando a necessidade de políticas mais articuladas entre expansão escolar e formação de professores para garantir qualidade no ensino.

Referência bibliográfica: MELO, Tatiana Moraes Queiroz de; MARTA, Felipe Eduardo Ferreira. Desafios no processo de escolarização em Feira de Santana: a Educação Física em pauta. Projeto História: Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados de História, São Paulo, v. 85, p. 317-343, jan./abr. 2026.

Artigo completo: https://doi.org/10.23925/2176-2767.2026v85p317-343

3. Fatores associados aos tipos de barreiras percebidas à atividade física no tempo livre entre estudantes universitários brasileiros.

Resumo por: Andressa Santos Sousa.

O estudo transversal e analítico investigou os fatores associados às barreiras percebidas para a prática de atividade física no tempo livre entre estudantes universitários brasileiros, fundamentando-se na premissa de que o ingresso no ensino superior marca uma transição crítica para comportamentos sedentários. A metodologia envolveu a aplicação de questionários estruturados que segmentaram os obstáculos em dimensões intrapessoais, interpessoais e ambientais, correlacionando-os ao perfil sociodemográfico dos alunos. Os resultados evidenciaram que a falta de tempo é a barreira universal predominante, diretamente atrelada à elevada carga horária acadêmica, enquanto o cansaço físico e mental surge como o principal impeditivo de ordem interna. Notadamente, o estudo identificou disparidades significativas de gênero e classe: mulheres reportaram maior percepção de barreiras relacionadas à falta de segurança e de companhia, enquanto estudantes de menor nível socioeconômico enfrentam obstáculos estruturais severos, como o custo de instalações privadas e a precariedade de espaços públicos. Na discussão, os autores argumentam que a inatividade física nesse grupo não é apenas uma escolha individual, mas um reflexo da ausência de políticas institucionais de promoção à saúde. Conclui-se que as universidades devem atuar como agentes transformadores, implementando estratégias intersetoriais que incluam a oferta de infraestrutura esportiva gratuita, a flexibilização de horários e programas de apoio social, visando mitigar a consolidação de hábitos sedentários e o surgimento precoce de doenças crônicas na vida adulta.

Referência bibliográfica: SANTOS, J. A. et al. Factores asociados con los tipos de barreras percibidas para la actividad física en el tiempo livre entre estudiantes universitarios brasileños. Retos, v. 64, p. 1106–1118, 2025

Artigo completo: https://revistaretos.org/index.php/retos/article/view/118551.

4. Padrões de atividade física de lazer, incluindo atividades físicas ocasionais, em relação à saúde autoavaliada positiva: diferenças raciais entre estudantes universitários brasileiros.

Resumo por: Maria Eduarda da Silva Araújo Santos

O artigo investigou a relação entre padrões de atividade física no tempo livre e as suas percepções positivas de saúde em universitários brasileiros, considerando diferenças raciais. O estudo foi realizado com 1.143 estudantes ingressantes de uma universidade pública da Bahia em 2025. Os pesquisadores avaliaram diferentes padrões de atividade física, incluindo o “weekend warrior” (“guerreiro de fim de semana”), caracterizado pela prática concentrada da realização de exercícios físicos em apenas um ou dois dias da semana. A saúde autorreferida foi analisada a partir da percepção dos próprios estudantes sobre sua condição de saúde. O principal resultado foi que estudantes fisicamente ativos tendiam a avaliar sua saúde de forma mais positiva. Entre estudantes brancos, a caminhada regular e a prática intensa concentrada no padrão weekend warrior apresentaram associação significativa com melhor autopercepção de saúde. Já entre estudantes de outros grupos raciais e étnicos, a regularidade da atividade física teve maior influência sobre essa percepção positiva. O estudo também identificou que estudantes negros, pardos, indígenas e asiáticos apresentaram menor frequência de percepção positiva da saúde quando comparados aos estudantes brancos, refletindo desigualdades sociais e raciais que são fatores altamente influenciáveis no acesso ao lazer, bem-estar e saúde. Ou seja, apenas fazer exercício ocasionalmente talvez não seja suficiente para compensar outros fatores que afetam a saúde e o bem-estar desses grupos. Portanto, os autores concluem que a atividade física no tempo livre contribui positivamente para a saúde percebida dos universitários, mas seus efeitos variam conforme intensidade, frequência da prática e contexto racial, isso pode mudar a forma como as pessoas percebem a própria saúde. Assim, políticas de promoção da saúde nas universidades devem considerar desigualdades sociais e raciais, incentivando diferentes formas de atividade física acessíveis aos estudantes.

Referência bibliográfica: SOUSA, T. F. da et al. Weekend warrior and other leisure-time physical activity patterns in relation to positive self-rated health: racial differences among Brazilian university students. International Journal of Environmental Research and Public Health, Basel, v. 23, n. 5, p. 599, 2026.

Artigo completo: : https://doi.org/10.3390/ijerph23050599

5. Cardiovascular response to exercise with and without alcohol consumption: evidence of an interaction between distance covered and perceived exertion.

Resumo por: Andressa Santos Sousa.

Este estudo experimental cruzado investigou o impacto da ingestão aguda e moderada de álcool na resposta cardiovascular de 12 universitários durante um teste de corrida intermitente, analisando como a substância altera a dinâmica entre a carga externa (distância percorrida) e as medidas de carga interna (frequência cardíaca e percepção subjetiva de esforço - PSE). Embora as médias isoladas de desempenho, batimentos cardíacos e marcadores metabólicos não tenham apresentado diferenças estatisticamente significativas entre as sessões com e sem álcool, a análise de regressão revelou que a presença do etanol modificou completamente a interação entre as variáveis. Na condição controle, não houve associação expressiva entre os fatores; contudo, sob o efeito do álcool (0,4 g de etanol/kg de massa corporal), a distância percorrida exibiu uma forte relação positiva com a frequência cardíaca média, sendo essa ligação significativamente moderada pela percepção de esforço (PSE). Os achados indicam que o álcool interfere nos mecanismos centrais de integração de sinais e de autorregulação biológica durante o esforço intenso, gerando maior estresse fisiológico. Com isso, o artigo conclui que profissionais de saúde devem considerar o histórico recente de consumo de bebidas alcoólicas ao prescrever ou supervisionar atividades físicas em ambientes recreativos, destacando a necessidade de um monitoramento integrado para garantir a segurança cardiovascular de adultos jovens.

Referência bibliográfica: SOUSA, Thiago Ferreira de; SANTOS, Aline de Jesus; ARAGÃO-SANTOS, José Carlos; FONSECA, Sandra Celina Fernandes. Cardiovascular response to exercise with and without alcohol consumption: evidence of an interaction between distance covered and perceived exertion. Nutrients, Basileia, v. 18, n. 9, p. 1-11, 2026.

Artigo completo: https://www.mdpi.com/2072-6643/18/9/1407

6. Compreendendo a adesão à atividade física em adultos vulneráveis com diabetes tipo 2 na Amazônia rural brasileira.

Resumo por: Maria Eduarda da Silva Araújo Santos

O artigo teve como objetivo compreender os fatores que influenciam a integração à atividade física entre adultos com diabetes mellitus tipo 2 residentes em comunidades rurais da Amazônia brasileira. Utilizando o Modelo Ecológico da Saúde como referencial teórico (o modelo mostra que o bem-estar e a saúde não dependem apenas do corpo, e sim da relação de equilíbrio entre o ser humano e o ambiente). Os autores identificaram que a prática de atividade física é influenciada por fatores individuais, sociais, ambientais e relacionados aos serviços de saúde. Entre as principais barreiras destacam-se as limitações físicas decorrentes da doença, dificuldades financeiras, baixo conhecimento sobre os benefícios do exercício, escassez de profissionais capacitados, distância dos locais destinados à prática, falta de infraestrutura e condições climáticas desfavoráveis. Em contrapartida, o apoio familiar e comunitário, a motivação pessoal, o incentivo dos profissionais de saúde e a participação em programas comunitários mostraram-se importantes facilitadores da adesão. Os autores concluem que o fortalecimento de políticas públicas e o desenvolvimento de estratégias adaptadas à realidade das populações rurais são fundamentais para ampliar a prática de atividade física, melhorar o controle do diabetes mellitus tipo 2 e reduzir as desigualdades em saúde.

Referência bibliográfica: FARIAS, T. A. S.; UENO, T. M. R. L.; MONTEIRO, W. F.; SQUARCINI, C. F. R.; AUTRAN, R. G.; CAMPOS, H. L. M.; LEON, E. B. Understanding physical activity adherence in vulnerable adults with type 2 diabetes in the rural Brazilian Amazon. Rural and Remote Health, v. 26, e10544, 2026.

Artigo completo: https://doi.org/10.22605/RRH10544