1. Situações de violência obstétrica identificadas pelas doulas no Brasil
Resumo por: Getulivan Alcantara de Melo
Frente à complexidade da assistência no período gravídico-puerperal e às persistentes práticas desumanizadas no cuidado à saúde da mulher, a violência obstétrica configura-se como um relevante problema de saúde pública e de gênero. Este estudo descritivo, exploratório e qualitativo, fundamentado na teoria das representações sociais, teve como objetivo analisar as situações de violência obstétrica identificadas por doulas no Brasil, a partir de entrevistas semiestruturadas realizadas entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025. Os resultados evidenciaram que as violências são frequentemente naturalizadas no cotidiano assistencial e se manifestam em três principais categorias: verbal, física e psicológica. As práticas incluem desrespeito à autonomia feminina, imposição de condutas sem consentimento, ofensas, infantilização, intervenções invasivas desnecessárias, manipulação emocional e ameaças, refletindo um modelo obstétrico tecnocrático, autoritário e centrado no profissional de saúde. Observou-se ainda que tais práticas estão inseridas em uma estrutura de desigualdade de gênero, na qual o corpo da mulher é frequentemente objetificado e submetido ao controle institucional. Apesar desse cenário, as doulas desempenham papel fundamental na promoção do parto humanizado, atuando como agentes de apoio, informação e empoderamento das mulheres, embora enfrentem resistência por parte de equipes de saúde. Conclui-se que a violência obstétrica é um fenômeno estrutural, multifacetado e ainda presente nos serviços de saúde, sendo necessária a implementação de políticas públicas, capacitação profissional e fortalecimento da atuação das doulas para promoção de uma assistência ética, respeitosa e centrada na autonomia da mulher.
Referência bibliográfica: DEMÉTRIO, R. C.; FARIAS, T. S.; MOREIRA, M. A. Situações de violência obstétrica identificadas pelas doulas no Brasil. Enfermería: Cuidados Humanizados, v. 15, n. 1, e4842, 2026. DOI: 10.22235/ech.v15i1.4842.
Artigo completo: https://doi.org/10.22235/ech.v15i1.4842











