Uesc -Universidade Estadual de Santa Cruz

Espaço Ciência Saúde - Ano de publicação 2026

Gênero

1. Acesso aos serviços de saúde pública por pessoas transgêneras: experiências na capital do Brasil.

Resumo por: Maria Eduarda da Silva Araújo Santos

Este artigo trata-se de uma pesquisa qualitativa realizada com 19 pessoas transgêneras (homens trans, mulheres trans e travestis), entrevistadas entre março e junho de 2022 em Brasília (DF) e analisa as experiências de pessoas transgêneras no acesso aos serviços públicos de saúde, buscando compreender os desafios encontrados no Sistema Único de Saúde (SUS). As entrevistas foram analisadas por meio da classificação lexical, permitindo identificar cinco classes temáticas que, posteriormente, foram organizadas em três eixos temáticos relacionados ao acesso à saúde. Os resultados revelaram três grandes eixos principais. O primeiro refere-se às vivências de reconhecimento da identidade de gênero nos serviços de saúde. Muitos participantes relataram discriminação, desrespeito ao nome social, questionamentos sobre sua identidade e situações de constrangimento em espaços públicos e institucionais, demonstrando que o padrão cisgênero dominante ainda influencia o atendimento em saúde. O segundo eixo evidenciou as barreiras estruturais para o acesso ao cuidado. Foram relatadas dificuldades como demora em consultas e exames, muitos encaminhamentos sem resolução, escassez de profissionais especializados, necessidade de deslocamento para outros lugares e falta de integração entre os serviços. Portanto, percebeu-se que essas dificuldades levam algumas pessoas a recorrerem à automedicação ou aos serviços privados de saúde. O terceiro eixo destacou experiências positivas de acolhimento, especialmente em serviços de saúde mental e em atendimentos realizados por profissionais capacitados e sensíveis às demandas da população trans. O respeito ao nome social, a escuta qualificada, o apoio psicológico e o atendimento humanizado foram apontados como fatores que favoreceram a continuidade do cuidado e a construção de vínculos de confiança com os serviços de saúde. O estudo conclui que, embora o direito à saúde esteja garantido legalmente para todos, pessoas trans ainda enfrentam barreiras estruturais, institucionais e simbólicas que dificultam o acesso integral ao cuidado. Os autores defendem a ampliação e descentralização dos serviços especializados, a qualificação permanente dos profissionais de saúde, o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde e a implementação efetiva das políticas públicas voltadas à população trans, visando garantir um atendimento mais inclusivo, equitativo e humanizado.

Referência bibliográfica: MENESES, Ana Carolina de Souza et al. Experiências de acesso aos serviços públicos de saúde por pessoas transgêneras na capital do Brasil. Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, v. 59, e20240526, 2025. DOI: 10.1590/1980-220X-REEUSP-2024-0526pt.

Artigo completo: https://doi.org/10.1590/1980-220X-REEUSP-2025-0273pt