Uesc -Universidade Estadual de Santa Cruz

Espaço Ciência Saúde - Ano de publicação 2026

Neurociência

1. Efeito dos cogumelos comestíveis em ratos e em camundongos

Resumo por: Yasmim Louise

O consumo de cogumelos comestíveis tem sido associado a diversos benefícios à saúde, incluindo possíveis efeitos sobre o comportamento e a função cerebral. Este estudo, uma revisão sistemática baseada nas diretrizes PRISMA, teve como objetivo reunir e analisar evidências sobre os efeitos do consumo de cogumelos no comportamento de ratos e camundongos. Foram incluídos 35 estudos, que indicaram que diferentes espécies de cogumelos, especialmente Hericium erinaceus, podem promover efeitos positivos, como melhora da memória, aprendizado, coordenação motora, comportamento social e redução de sintomas relacionados à ansiedade e depressão. Os resultados também mostraram grande variedade metodológica entre os estudos, incluindo diferentes espécies, doses, formas de preparo e testes comportamentais.

Além disso, os achados sugerem que esses efeitos estão relacionados a propriedades neuroprotetoras, antioxidantes e imunomoduladoras dos compostos bioativos presentes nos cogumelos, que podem atuar na regulação da neuroinflamação, estresse oxidativo e neuroplasticidade. Apesar dos resultados consistentemente positivos, destaca-se a possibilidade de viés de publicação e a limitação da predominância de estudos em modelos animais, o que exige cautela na extrapolação para humanos. Conclui-se que os cogumelos comestíveis apresentam potencial terapêutico promissor para condições neuropsiquiátricas, sendo necessárias mais pesquisas padronizadas e estudos clínicos para confirmar sua eficácia, segurança e aplicabilidade em humanos.

Referência bibliográfica: BEZERRA, M. T. M. et al. Effects of edible mushrooms on the behavior of rats and mice: a systematic review. International Journal of Microbiology, 2026. DOI: 10.1155/ijm/8247972.

Artigo completo: http://dx.doi.org/10.1155/ijm/8247972

2. Esteatose na amígdala e córtex frontal: potenciais biomarcadores de ressonância magnética para a doença de alzheimer

Resumo por: Fernanda Quéren dos Santos Silva

Com o avanço da medicina diagnóstica, investigações recentes no campo da neuroimagem descobriram que os lipídios presentes no cérebro, em especial no córtex frontal e na amígdala (uma pequena estrutura presente no lobo temporal), envolvidos na regulação emocional e na consolidação da memória, conferem proteção contra o declínio cognitivo. Alterações na composição lipídica nessas regiões podem estar associadas ao desenvolvimento da doença de Alzheimer. A fim de compreender melhor a relação entre esses componentes, o presente estudo de natureza transversal retrospectiva, realizado entre março de 2024 e março de 2025, no Hospital Geral Luiz Eduardo Magalhães (HBLEM), em Itabuna-Bahia, buscou avaliar quantitativamente as concentrações lipídicas nessas regiões, utilizando espectroscopia por ressonância magnética (um procedimento não invasivo) em pacientes com doença de Alzheimer, em comparação com controles pareados por idade e sexo. Participaram 50 pacientes com doença de Alzheimer, após avaliação inicial dos critérios de inclusão e exclusão, além de um grupo controle composto por 50 indivíduos saudáveis. Os participantes com doença de Alzheimer foram submetidos a uma avaliação clínica com aplicação do Mini Exame do Estado Mental, da Escala de Avaliação Clínica da Demência e de teste molecular que avalia predisposição à doença de Alzheimer e auxilia no diagnóstico de distúrbios do metabolismo lipídico, a fim de classificar a gravidade da doença. Também foi conduzida a análise de imagens de ressonância magnética e espectroscopia por ressonância magnética por dois radiologistas certificados, que posteriormente chegaram a um consenso sobre as divergências e analisaram os dados por meio dos softwares LCModel e R. Para as comparações estatísticas entre os grupos, foram utilizados o teste de Shapiro-Wilk, que avalia se um conjunto de dados segue distribuição normal, e o teste não paramétrico de Mann-Whitney U, utilizado para verificar diferenças entre duas amostras independentes. Os resultados demonstraram aumento significativo das concentrações lipídicas na amígdala e no córtex frontal dos pacientes com doença de Alzheimer em comparação aos controles saudáveis. Na amígdala, os valores médios foram de 2,59 ± 0,45 ppm nos pacientes com Alzheimer e 0,92 ± 0,28 ppm nos controles. No córtex frontal, os pacientes apresentaram média de 3,60 ± 0,48 ppm, enquanto os controles exibiram valores inferiores, com diferença estatisticamente significativa (p < 0,001). Entretanto, não houve correlação significativa entre os níveis lipídicos e a gravidade clínica da doença. Conclui-se que a espectroscopia por ressonância magnética demonstrou potencial para identificar alterações metabólicas cerebrais relacionadas à doença de Alzheimer, especialmente na amígdala e no córtex frontal. Contudo, novos estudos com amostras maiores e acompanhamento longitudinal são necessários para confirmar sua utilidade como biomarcador diagnóstico.

Referência bibliográfica: Andrade, L. J. O.; Oliveira, G. C. M.; Figueiredo, A. M.; Silva, C. P.; Oliveira, L. M. Steatosis in the amygdala and frontal cortex: potential magnetic resonance imaging biomarkers for Alzheimer’s disease. ENDOCRINOLOGIA & DIABETES CLÍNICA E EXPERIMENTAL, v. 23, p. 30–37, 2026.

Artigo completo: https://www.revistaendocrino.com.br/_files/ugd/413992_4281120448ee405f98c64818d00bd042.pdf?index=true