Uesc -Universidade Estadual de Santa Cruz

Espaço Ciência Saúde - Ano de publicação 2026

Enfermagem

1. Diagnósticos de enfermagem no Acidente Vascular Encefálico: uma análise à luz da teoria de Wanda Horta.

Resumo por: Maria Eduarda da Silva Araújo Santos

O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é definido como uma interrupção ou diminuição do fluxo de sangue para o cérebro, sendo constituído em isquêmico (mais comum, quando um vaso sanguíneo é obstruído) ou hemorrágico (quando um vaso sanguíneo se rompe, causando sangramento no cérebro). Considerando os sinais e sintomas gerados por essa doença, identifica-se a necessidade de um cuidado individualizado e multiprofissional ao paciente, desde o seu primeiro sinal. Sendo assim, o Processo de Enfermagem (PE), junto ao NANDA-I, compõem um padrão e a Avaliação de Enfermagem, Diagnóstico de Enfermagem, Planejamento de Enfermagem, Implementação de Enfermagem e Evolução de Enfermagem, destacando-se com a sua grande influência na análise, cuidado e intervenções para os pacientes que apresentam essa condição. Este estudo buscou identificar quais são os principais problemas que o AVE apresenta durante a internação através da análise de literaturas científicas publicadas entre 2010 e 2025 para auxiliar os profissionais de enfermagem a cuidarem melhor dessas pessoas. Para isso, os autores usaram a teoria da enfermeira Wanda de Aguiar Horta, que diz que todo ser humano tem necessidades básicas que precisam ser atendidas para manter a saúde, sendo elas: Psicobiológicas (respirar, se alimentar, se movimentar), Psicossociais (se comunicar, ter apoio da família) e Psicoespirituais (fé, crenças). Os resultados do estudo mostraram que, nos pacientes com AVE, as necessidades mais afetadas foram principalmente as Psicobiológicas, como: dificuldade de movimento, risco de quedas, risco de engasgo, problemas respiratórios e circulatórios. Também foram destacadas as necessidades Psicossociais, como: dificuldade para falar e se comunicar, isolamento social, baixa autoestima e sentimentos de impotência. Portanto, conclui-se que, embora os diagnósticos mais frequentes estejam relacionados às necessidades do corpo, um aspecto que o estudo mostrou como ausente foi a dimensão Psicoespiritual. Mesmo sendo muito importante, principalmente em situações graves como o AVE, nenhum diagnóstico de Enfermagem foi identificado nessa área nos estudos analisados, isso revela uma falha no cuidado, pois essas necessidades também influenciam diretamente na recuperação do paciente e a sua desvalorização se opõe à ideia da Teoria de Wanda Horta, que diz: o paciente deve ser visto como um ser integral, incluindo corpo, mente e espiritualidade.

Referência bibliográfica: ALMEIDA, P. S. de; SOUZA, S. S.; BARRETO, R. S.; SILVA, M. O. C.; SANTANA, R. S. de; FARIAS, M. T. D.; RODRIGUES, A. S.; LEITE, R. M. dos S. E. Diagnósticos de enfermagem no Acidente Vascular Encefálico: uma análise à luz da teoria de Wanda Horta. Revista Eletrônica Acervo Enfermagem, v. 26, e23047, 4 mar. 2026.

Artigo completo: https://doi.org/10.25248/reaenf.e23047.2026

2. Técnica de Figueiredo: Aplicação do processo de enfermagem à luz da teoria de Wanda Horta

Resumo por: Lucielly Souza de Oliveira

O desbridamento é uma etapa essencial no processo de cicatrização, pois permite a passagem da fase inflamatória para a fase proliferativa, quando ocorre a formação do tecido de granulação e o início da regeneração. Existem diferentes tipos, cuja escolha depende das condições da lesão e do paciente. Destaca-se a associação do desbridamento cirúrgico com a técnica de Figueiredo, que utiliza uma prótese de polipropileno para isolar a área lesionada, sendo eficaz em casos complexos, pois favorece a cicatrização por segunda intenção, protege os tecidos e ajuda na preservação do membro. O estudo objetiva descrever a aplicação do Processo de Enfermagem nesse contexto, com base na Teoria das Necessidades Humanas Básicas, tratando-se de um relato de experiência vivenciado durante a disciplina de Enfermagem Perioperatória em um hospital público do sul da Bahia. À luz da Teoria, os problemas de enfermagem identificados concentraram-se principalmente nas dimensões psicobiológica e psicossocial. A partir da avaliação sistematizada, foram definidos diagnósticos de enfermagem, prescrições de cuidados e resultados esperados. A implementação dos cuidados ocorreu de forma sistemática, respeitando as necessidades do paciente e as diretrizes institucionais, contribuindo para a recuperação da lesão. O trabalho evidenciou a importância da integração entre o Processo de Enfermagem e a Teoria das Necessidades Humanas Básicas na assistência perioperatória, permitindo uma abordagem integral do processo de cicatrização, considerando aspectos físicos, emocionais e sociais. Essa estratégia contribuiu para decisões clínicas fundamentadas em evidências para às reais necessidades do paciente, com cuidado humanizado, seguro e eficaz. Destacou-se ainda a importância da comunicação multiprofissional, manejo adequado da dor e das orientações ao paciente, reforçando o papel central da enfermagem na assistência cirúrgica e sistematização do cuidado.

Referência bibliográfica: SANTOS CARDOSO, Samylle; SANTOS SOUZA, Simone; SANTOS BARRETO, Rejane; SANTOS RIBEIRO, Ícaro José; SILVA RODRIGUES, Andreia; TEIXEIRA DANTAS FARIAS, Mariane. TÉCNICA DE FIGUEIREDO: APLICAÇÃO DO PROCESSO DE ENFERMAGEM À LUZ DA TEORIA DE WANDA HORTA. Revista Enfermagem Atual In Derme, [S. l.], v. 100, n. 1, p. e026020, 2026. DOI: 10.31011/reaid-2026-v.100-n.1-art.2623.

Artigo completo: https://doi.org/10.31011/reaid-2026-v.100-n.1-art.2623

3. Hipertensão Arterial Sistêmica e Diagnósticos de Enfermagem: uma análise fundamentada no referencial de Wanda Horta.

Resumo por: Veridiana Soares Cunha.

A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) configura-se como um grave problema de saúde pública, sendo definida pelo aumento crônico da pressão que o sangue exerce nas artérias, o que sobrecarrega o sistema cardiovascular e pode levar a falências orgânicas. Este estudo realizou um levantamento bibliográfico em produções científicas para mapear quais são os principais diagnósticos de enfermagem atribuídos a pacientes adultos hipertensos. A análise utilizou como lente teórica o referencial de Wanda Horta, que organiza o ser humano através das Necessidades Humanas Básicas, classificando-as em dimensões Psicobiológicas (corpo), Psicossociais (mente e relações) e Psicoespirituais (crenças). Os achados da pesquisa indicam um cenário de equilíbrio entre as demandas físicas e comportamentais, uma vez que as dimensões Psicobiológicas e Psicossociais apresentaram a mesma relevância estatística no estudo (49% cada). No que diz respeito à dimensão psicobiológica, os resultados apontam que o "Estilo de vida sedentário" é o diagnóstico mais crítico, acompanhado por dificuldades na manutenção de uma "Nutrição equilibrada" e pela "Intolerância à atividade", que limita o esforço físico desses pacientes. Já no âmbito psicossocial, o estudo identificou que a "Falta de adesão" e o "Conhecimento deficiente" sobre a hipertensão são barreiras significativas que dificultam o controle da pressão arterial. Dessa forma, o estudo evidencia que o manejo da hipertensão exige uma abordagem que vá além da simples entrega de medicamentos. O desfecho desta análise aponta que o sucesso do tratamento está diretamente ligado à capacidade da equipe de saúde em intervir nos hábitos de vida e no suporte emocional do indivíduo. Embora a dimensão espiritual ainda seja pouco explorada nos registros (apenas 2%), ao negligenciar o suporte espiritual, o cuidado se torna incompleto e distante do ideal de integralidade de Wanda Horta. Ao integrar o cuidado técnico com o apoio ao autocuidado e à saúde mental, a enfermagem cumpre o papel de promover uma vida mais saudável e equilibrada, combatendo a hipertensão em todas as suas frentes e garantindo que o paciente compreenda e domine sua própria condição de saúde.

Referência bibliográfica: REIS, L. G. F. et al. Hipertensão Arterial Sistêmica e Diagnósticos de Enfermagem: uma análise fundamentada no referencial de Wanda Horta. Nursing, São Paulo, v. 27, n. 310, p. 11002-11013, mar. 2024. DOI: https://doi.org/10.36489/nursing.2024v27i310p11002-11013.

Artigo completo: https://revistanursing.com.br/index.php/revistanursing/article/view/3492/4500

4. Socialidade e Cuidado: Diálogos Epistemológicos Entre Michel Maffesoli e as Teóricas de Enfermagem.

Resumo por: Andressa Santos Sousa

Este estudo qualitativo busca entender como as ideias do sociólogo Michel Maffesoli, que defende a importância de valorizar as emoções e a rotina do dia a dia, podem ajudar a melhorar as teorias que os enfermeiros usam na profissão. Os autores explicam que, hoje em dia, o atendimento em hospitais e postos de saúde costuma ser muito mecânico e focado apenas em regras e burocracias, deixando de lado o carinho e a conversa. Para mudar isso, o artigo mostra que o ato de cuidar acontece nos pequenos momentos da rotina, como no banho de leito ou na troca de um curativo, e que o enfermeiro deve unir o seu conhecimento técnico com o coração e a sensibilidade. Além disso, o texto destaca que o paciente não é um objeto passivo: ele tem uma força interna própria para se recuperar, e também traz consigo sua família, seus medos e a cultura do local onde vive, coisas que a enfermagem precisa respeitar para que o tratamento dê certo. Por fim, os autores concluem que a enfermagem não é apenas uma ciência fria que cumpre tarefas, mas sim uma profissão humana e social, onde o afeto, o respeito e a atenção aos detalhes do dia a dia são tão importantes para a cura quanto os remédios e os procedimentos técnicos.

Referência bibliográfica: MATOS, Endric Passos et al. Socialidade e Cuidado: Diálogos Epistemológicos Entre Michel Maffesoli e as Teóricas de Enfermagem. Nursing (Edição Brasileira), [S. l.], v. 31, n. 334, p. 13354–13368, 2026.

Artigo completo: https://revistanursing.com.br/index.php/revistanursing/article/view/3557

5. Interface Entre a Teoria das Representações Sociais e a Sociologia Compreensiva na Enfermagem

Resumo por: Getulivan Alcantara de Melo

A compreensão do processo saúde-doença exige que os profissionais de saúde ultrapassem uma visão estritamente biológica e técnica do cuidado, incorporando aspectos subjetivos, culturais e sociais que influenciam a experiência humana. Nesse contexto, o artigo “Interface Entre a Teoria das Representações Sociais e a Sociologia Compreensiva na Enfermagem” analisa as aproximações entre a Teoria das Representações Sociais (TRS), proposta por Serge Moscovici, e a Sociologia Compreensiva de Michel Maffesoli, discutindo as contribuições dessa articulação para a ciência e a prática da Enfermagem.

Trata-se de um estudo teórico-reflexivo de abordagem qualitativa, fundamentado na análise crítica de referenciais clássicos da Psicologia Social e da Sociologia Compreensiva. Os autores utilizaram obras de Serge Moscovici, Denise Jodelet e Michel Maffesoli, além de artigos científicos publicados entre 2019 e 2024 e indexados nas bases PubMed, SciELO e CINAHL. A análise foi organizada em eixos temáticos que permitiram identificar pontos de convergência e complementaridade entre os referenciais teóricos estudados, culminando na proposição de uma matriz de interlocução aplicada à Enfermagem.

Os resultados evidenciaram que a principal interface entre as duas teorias ocorre no cotidiano, compreendido como espaço privilegiado de construção de significados, relações sociais e práticas de cuidado. A Teoria das Representações Sociais contribui para compreender como indivíduos e grupos elaboram conhecimentos compartilhados que orientam comportamentos, percepções e decisões relacionadas à saúde. Por sua vez, a Sociologia Compreensiva de Maffesoli enfatiza a importância dos afetos, da convivência, do imaginário social e da denominada “razão sensível”, destacando que as relações humanas são permeadas por elementos simbólicos que influenciam a forma como as pessoas vivem, adoecem e cuidam umas das outras.

A articulação desses referenciais permite compreender que o cuidado em enfermagem não se restringe à aplicação de procedimentos técnicos, mas envolve também a interpretação dos significados atribuídos pelos sujeitos às suas experiências de saúde. O estudo destaca que fenômenos como dor, adoecimento, envelhecimento, parto e morte são vivenciados e compreendidos de maneiras distintas conforme os valores, crenças e representações construídas coletivamente. Dessa forma, o enfermeiro passa a atuar não apenas sobre necessidades biológicas, mas também sobre dimensões simbólicas e afetivas presentes no cotidiano dos indivíduos e grupos sociais.

Outro aspecto relevante discutido pelos autores refere-se ao conceito de “tribalismo” proposto por Maffesoli. Segundo essa perspectiva, a sociedade contemporânea organiza-se em grupos que compartilham identidades, valores e formas específicas de interpretar a realidade. No campo da saúde, compreender essas particularidades torna-se fundamental para que as ações de cuidado sejam culturalmente sensíveis e adequadas às necessidades de cada população. Assim, a Enfermagem fortalece seu papel como ciência humana aplicada, capaz de integrar conhecimento técnico-científico, sensibilidade, ética e empatia na construção do cuidado.

Os autores concluem que a interface entre a Teoria das Representações Sociais e a Sociologia Compreensiva amplia o horizonte epistemológico da Enfermagem, favorecendo uma prática mais humanizada e integral. Ao reconhecer a importância das experiências cotidianas, das relações interpessoais e dos significados compartilhados, essa abordagem contribui para um cuidado que une saber científico e sensibilidade humana, fortalecendo a qualidade da assistência e a compreensão das múltiplas dimensões que envolvem o processo saúde-doença.

Referência bibliográfica: MATOS, Endric Passos et al. Interface entre a teoria das representações sociais e a sociologia compreensiva na enfermagem. Nursing, v. 31, n. 335, p. 13429-13443, 2026.

Artigo completo: https://doi.org/10.36489/nursing.2026v31i334p13429-13443