Uesc -Universidade Estadual de Santa Cruz

Espaço Ciência Saúde - Ano de publicação 2025

Doenças Crônicas

1. Autogestão do cuidado de pessoas adoecidas crônicas por cirrose hepática

Trata-se de um estudo qualitativo, descritivo e exploratório, realizado com sete participantes (45 a 69 anos), no Sul da Bahia, entre 2022 e 2023. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas. A partir das práticas de autocuidado relatadas, foram evidenciadas quatro categorias principais : adaptação do corpo e importância do repouso; gerenciamento da terapia medicamentosa no cotidiano; adoção de escolhas alimentares saudáveis para melhorar a qualidade de vida e enfrentamento da abstinência alcoólica. O artigo destaca que a rotina da autogestão é influenciada pelo grupo social e pelos significados construídos ao longo da vida dos pacientes. Conclui que há necessidade de intervenções educativas e cuidados mais personalizados para apoiar essa população e seus familiares na adoção de práticas que evitem a descompensação da cirrose e melhorem a qualidade de vida. Além disso, aponta desafios sociais e econômicos, como escolaridade, renda e acesso aos serviços de saúde, que impactam diretamente o manejo da doença.

Souza A. dos S.;Pereira M. O.; Santos J. Q.;Rodrigues A. S.; SouzaI. P. de. Autogestão do cuidado de pessoas adoecidas crônicas por cirrose hepática. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 25, p. e17607, 11 jan. 2025.

Link para artigo completo: https://doi.org/10.25248/reas.e17607.2025

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2. A importância da Educação em Saúde como ferramenta de intervenção nos índices de Diabetes Mellitus e Hipertensão Arterial Sistêmica: um relato de experiência

Trata-se de um relato de experiência desenvolvido por alunos de graduação de medicina, realizado ao longo do ano de 2023, durante a realização do módulo Práticas de Integração, Ensino, Serviço e Comunidade (PIESC). A intervenção objetivou-se proporcionar momentos e tempos formativos de Educação em Saúde para a comunidade de um município brasileiro sobre a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e o Diabetes Mellitus (DM), uma vez que o bairro apresenta alta incidência de ambas as doenças crônicas. A intervenção incluiu visitas domiciliares, feira de saúde, ações em creches e escola e educação em saúde na sala de espera da Unidade Básica de Saúde. As ações focaram na autonomia da comunidade, promovendo protagonismo e mudanças nos hábitos de vida. A continuidade e adaptações dessas abordagens podem construir comunidades mais saudáveis e engajadas.

Tavares, A. C. A. L. de L.; Oliveira, B. S. F.; FIGUEIREDO, E. M.; LISBOA, J. da S.; NEVES, J. S.; MARTINS, J. M. F.; LOPES, L. M. M.; SPINELLI, L. O. L.; NEVES, M. A. C.; OLIVEIRA, J. H. B. de; BARBOSA, W. A. A importância da Educação em Saúde como ferramenta de intervenção nos índices de Diabetes Mellitus e Hipertensão Arterial Sistêmica: um relato de experiência. Brazilian Medical Students Journal. São Paulo: Brasil, v.10, n.14, 10. jan. 2025.

Link para artigo completo: https://doi.org/10.53843/bms.v10i14.680

3. A participação em ações de atenção primária está levando a melhores comportamentos em pessoas com diabetes? Resultados da Região Amazônica

Trata-se de um estudo transversal realizado em 10 municípios do estado do Amazonas, Brasil. Participaram da pesquisa 965 pessoas. A coleta de dados ocorreu entre outubro de 2020 e março de 2023.O estudo incluiu indivíduos com Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) que participam de atividades de manejo da doença oferecidas por unidades de atenção primária. Os comportamentos de saúde avaliados incluíram adesão à medicação, atividade física e consumo de alimentos e vegetais. Conclui-se que a participação em atividades oferecidas na atenção primária impacta positivamente a adesão à medicação. No entanto, embora os participantes tenham recebido orientações sobre a adesão à atividade física e práticas alimentares saudáveis, não foi observado impacto nas mudanças de comportamento em pessoas diagnosticadas com DM2.

FERNANDES, L. S.; BRAGA, J. A. da C. B.;CARDOSO, M.N.; ESQUARSINI, C. F. R.; CAMPOS, H. L. M.; LEÓN, E. B. de. A participação em ações de atenção primária está levando a melhores comportamentos em pessoas com diabetes? Resultados da Região Amazônica. Revista de Atenção Primária e Saúde Comunitária. fev. 2025.

Link para artigo completo: https://doi.org/10.1177/21501319251323780

4. MicroRNAs na Hipertensão: Mecanismos Moleculares e Perspectivas Terapêuticas — Uma Abordagem Bioinformática

A hipertensão (pressão alta) é uma doença complexa, e este estudo buscou entender o papel de cinco microRNAs (moléculas que regulam genes) principais na sua origem. O foco foi analisar a estrutura molecular (a forma em 2D e 3D) desses microRNAs para entender como eles se comportam e interagem, abrindo caminho para novos tratamentos.O estudo transforma a visão sobre a hipertensão, mostrando que ela é causada por uma complexa "conversa molecular" entre microRNAs. Alvo Central: O miR-21 é o principal "maestro" dessa rede de desregulação. Controlar ele e suas interações com outros microRNAs, como o miR-155, é crucial. Tratamento Personalizado: A forma como a rede molecular de cada pessoa se comporta explica por que o mesmo remédio funciona para um e não para o outro. Isso reforça a necessidade de desenvolver uma medicina personalizada para a hipertensão. Futuro com Terapia de Rede: Em vez de focar em um único alvo, os futuros tratamentos para hipertensão devem ser projetados para atuar em vários pontos dessa rede molecular ao mesmo tempo, superando os mecanismos de resistência.

MELO, P. R. S. de; BEZERRA, B. H. L.; CERQUEIRA, B. A. V.; MELO, R. C. de; CALVACANTI, P. V. C.; MENEZES, C. A. M. MICRORNAS NA HIPERTENSÃO: MECANISMOS MOLECULARES E PERSPECTIVAS TERAPÊUTICAS - UMA ABORDAGEM BIOINFORMÁTICA. Rev. Internacional de Pesquisa Avançada, n.13, v.07, p.172-181, 21 julho 2025.

Link para artigo completo: https://dx.doi.org/10.21474/IJAR01/21282

5. Espiritualidade/Religiosidade e Adesão ao Tratamento em Indivíduos Hipertensos

Este estudo observacional, transversal e quantitativo foi conduzido com 237 indivíduos hipertensos atendidos em um hospital de ensino no Brasil, com o objetivo de analisar fatores associados à adesão ao tratamento e o papel da espiritualidade/religiosidade nesse contexto. A coleta de dados incluiu informações sociodemográficas, clínicas e de estilo de vida, além de medidas antropométricas e exame físico. A adesão ao tratamento foi avaliada por meio do Questionário de Adesão ao Tratamento da Hipertensão (QATSAH), e a espiritualidade/religiosidade foi medida utilizando o Inventário de Religiosidade de Duke e a Medida Multidimensional Breve de Religiosidade/Espiritualidade. Os resultados indicaram que níveis mais altos de adesão ao tratamento foram observados em indivíduos com idade ≥65 anos, fisicamente ativos e que não consumiam bebidas alcoólicas. Em relação à espiritualidade/religiosidade, a religiosidade intrínseca, valores e crenças, e perdão foram preditores estatisticamente significativos de adesão ao tratamento. A conclusão do estudo destaca que aspectos específicos da espiritualidade/religiosidade influenciam positivamente a adesão ao tratamento em indivíduos hipertensos.

CAMARGO, Y. S.; FERREIRA, A. S. B.;SCALIA, L. A. M.; MAGNABOSCO, P.; BRAGATO, A. G. C.; RAPONI, M. B. G.; DINAMARCO, N.; FIGUEIREDO, V. N. . Espiritualidade/Religiosidade e Adesão ao Tratamento em Indivíduos Hipertensos. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v.122, n. 2, fev. 2025.

Link para artigo completo: https://dx.doi.org/10.36660/abc.20240558

6. Eficácia de uma intervenção educativa nos componentes da síndrome metabólica em adultos com diabetes tipo 2: ensaio clínico não randomizado

Este estudo clínico não randomizado teve como objetivo verificar a eficácia de uma intervenção educativa nos componentes da síndrome metabólica em adultos com diabetes tipo 2. A pesquisa incluiu 51 adultos (48,73±7,84 anos; 86,3% mulheres) diagnosticados com diabetes tipo 2 e síndrome metabólica, divididos em grupo de intervenção (n=26) e grupo controle (n=25). A intervenção consistiu em um programa educativo de promoção da saúde, com abordagem multidisciplinar, realizado ao longo de seis meses, estruturado em sete workshops liderados por enfermeiros. Os resultados indicaram que, em comparação com o grupo controle, o programa educativo reduziu os níveis de glicose (p=0,001) e melhorou as concentrações de colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL) (p=0,001) nos participantes do grupo de intervenção após seis meses. Observou-se uma diminuição significativa na pontuação média da síndrome metabólica no grupo de intervenção, enquanto o grupo controle apresentou aumento (p=0,033). Ao final do estudo, 11,5% dos participantes do grupo de intervenção deixaram de atender aos critérios para síndrome metabólica. A conclusão do estudo destaca que um programa educativo liderado por enfermeiros foi eficaz na melhoria dos níveis de glicose e colesterol HDL, bem como na redução do número de componentes da síndrome metabólica nos participantes.

ARAUJO, W. A.; SANTOS, I. S. C.; ROSA, R. S.; SOUZA, C. S.; CRUZ, D. P.; DAMACENO, T. O.; ARAUJO, T. F. S.; MAIA, G. L. A.; ROCHA, R. M. Eficácia de uma intervenção educativa nos componentes da síndrome metabólica em adultos com diabetes tipo 2: ensaio clínico não randomizado. Investigación y Educación en Enfermería, v.43, n. 1, maio 2025.

Link para artigo completo: https://doi.org/10.17533/udea.iee.v43n1e04

7. Repercussões do câncer infantojuvenil na saúde cardiovascular de sobreviventes: um estudo de revisão

Este estudo de revisão integrativa teve como objetivo analisar as repercussões do câncer infantojuvenil na saúde cardiovascular de sobreviventes. A pesquisa foi conduzida entre 2013 e 2023, utilizando as bases de dados MEDLINE/PubMed, BVS e EMBASE. Os resultados evidenciaram que os sobreviventes de câncer infantojuvenil apresentam risco aumentado para doenças cardiovasculares, especialmente doença arterial coronariana, devido aos efeitos tardios dos tratamentos oncológicos, como quimioterapia com antraciclinas e radioterapia torácica. A análise dos dados foi realizada por meio do software IRAMUTEQ, utilizando a técnica de Classificação Hierárquica Descendente. Conclui-se que as repercussões cardiovasculares acompanham essa população ao longo da vida, sendo essencial o desenvolvimento de estratégias de acompanhamento e cuidados voltados para a saúde cardiovascular desses indivíduos.

SOARES DE ABREU, L. R.; SILVA SANTOS SOARES, S. .; GARCIA DE MELLO, L. R.; BRITO PINHEIRO, A. P. .; CARNEIRO CARVALHO, E. .; SILVA DE ANDRADE, K. B. . Repercussões do câncer infantojuvenil na saúde cardiovascular de sobreviventes: um estudo de revisão. Revista Enfermagem Atual In Derme, v.99, n. supl.1, maio 2025.

Link para artigo completo: https://doi.org/10.31011/reaid-2025-v.99-n.supl.1-art.2241

8. Protocolo de Implementação do Processo de Enfermagem em Consultas a Pessoas com Hipertensão e Diabetes na Atenção Primária à Saúde

Estudo de pesquisa-ação cuja fase de diagnóstico envolveu análise de conteúdo temática de Bardin e seminários temáticos com profissionais de saúde para elaboração coletiva de um protocolo de enfermagem aplicável em Unidades Básicas de Saúde destinadas a pacientes com hipertensão e/ou diabetes. O diagnóstico situacional apontou fragilidades na adoção do Processo de Enfermagem (SAE / PE), mas a participação colaborativa permitiu a construção de um protocolo ajustado ao contexto local, com a intenção de organizar, qualificar e sistematizar a assistência de enfermagem para indivíduos com essas condições crônicas. O protocolo visa promover intervenções fundamentadas no processo de consulta de enfermagem, considerando aspectos psicobiológicos, psicossociais e psicoespirituais nas necessidades do paciente com hipertensão/diabetes.

PENTEADO, M. de S.; MELO, T. A. C. . de; LEVI, T. M.; PENTEADO, M. de S.; LAVINSKY, A. E. Protocolo de Implementação do Processo de Enfermagem em Consultas a Pessoas com Hipertensão e Diabetes na Atenção Primária à Saúde. Saúde Coletiva (Barueri), v. 15, n. 92, p. 14142–14157, 2025.

Link para artigo completo: https://doi.org/10.36489/saudecoletiva.2024v14i92p14142-14157

9. Diferentes polimorfismos dos genes do sistema renina-angiotensina-aldosterona estão associados a pior controle da pressão arterial em idosos hipertensos

O controle adequado da pressão arterial é fundamental para a prevenção de complicações cardiovasculares, especialmente entre idosos com hipertensão arterial. Além de fatores modificáveis, como hábitos de vida e perfil metabólico, fatores genéticos desempenham papel relevante nesse processo. Diante disso, este estudo teve como objetivo analisar a associação entre polimorfismos genéticos do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), características sociodemográficas, hábitos de saúde e estilo de vida, e o controle da pressão arterial em idosos hipertensos.
Trata-se de um estudo observacional com 143 idosos hipertensos residentes na comunidade. Os participantes foram genotipados para os seguintes polimorfismos: angiotensinogênio (AGT – M235T), renina (REN – G2646A), enzima conversora de angiotensina (ACE – InDel), receptor tipo 1 da angiotensina II (AT1R – A1166C) e aldosterona sintase (CYP11B2 – C344T). Informações sociodemográficas, condições de saúde e hábitos de vida foram obtidas por meio de questionários padronizados, e a pressão arterial foi aferida seguindo protocolos clínicos. Para a análise dos dados, utilizou-se regressão multivariada de Poisson.
Os resultados demonstraram que a presença do alelo A do gene REN (G2646A), o genótipo II do gene ACE (InDel) e níveis elevados de LDL-colesterol estiveram significativamente associados ao controle inadequado da pressão arterial nos idosos avaliados. Esses achados indicam que a identificação de perfis genéticos específicos, quando analisada em conjunto com fatores metabólicos e comportamentais, pode contribuir para a identificação de indivíduos com maior risco de descontrole pressórico.
Conclui-se que, embora os fatores genéticos sejam não modificáveis, o conhecimento do perfil genético associado ao pior controle da pressão arterial pode subsidiar estratégias mais eficazes de prevenção, acompanhamento e tratamento da hipertensão em idosos, contribuindo para a redução da morbimortalidade cardiovascular nessa população.

Freire, I. V.; Ribeiro, I. J. S.; Casotti, C. A.; Andrade, D.; Bezerra, D. D.; Teixeira, J. R. B.; Barbosa, A. A. L.; Campos, L. C. G.; Pereira, R. Different polymorphisms of the renin-angiotensin-aldosterone system genes are associated with poorer blood pressure control in hypertensive older adults. High Blood Pressure & Cardiovascular Prevention, v. 32, p. 523–532, 2025.

Link para artigo completo: https://doi.org/10.1007/s40292-025-00725-w

10. Anos de Vida Perdidos por mortalidade prematura por Diabetes Mellitus na Bahia, Brasil

O diabetes mellitus (DM) constitui um importante problema de saúde pública no Brasil, especialmente em regiões marcadas por desigualdades socioeconômicas, como o estado da Bahia. Este estudo teve como objetivo estimar os Anos de Vida Perdidos (Years of Life Lost – YLL) por mortalidade prematura atribuída ao diabetes mellitus na Bahia, no período de 2000 a 2023, a fim de mensurar o impacto social, econômico e epidemiológico da doença. Trata-se de um estudo epidemiológico quantitativo, baseado em análise de séries temporais, que utilizou dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e projeções populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O cálculo do YLL foi realizado a partir das tabelas de expectativa de vida do Global Burden of Disease (GBD 2019), estratificando os dados por sexo e faixa etária, com apresentação dos resultados em taxas por 100 mil habitantes. Os resultados evidenciaram um crescimento progressivo dos anos de vida perdidos por diabetes mellitus ao longo das últimas duas décadas, com aumento expressivo a partir de 2015 e pico acentuado em 2020, possivelmente associado aos impactos indiretos da pandemia de COVID-19 sobre o manejo das doenças crônicas. Em 2020, o YLL atingiu 422,6 por 100 mil habitantes, mantendo-se elevado nos anos subsequentes. Observou-se ainda importante desigualdade de gênero, com maiores taxas de mortalidade prematura entre homens em comparação às mulheres, especialmente na faixa etária economicamente ativa (30 a 69 anos). Além do impacto sanitário, o estudo estimou perdas econômicas significativas associadas à redução da produtividade, com prejuízo aproximado de 41 milhões de reais entre 2020 e 2022. Os achados revelam que o diabetes mellitus impõe um elevado custo social e econômico à população baiana, refletindo fragilidades no acesso aos serviços de saúde, dificuldades no controle da doença e influência marcante dos determinantes sociais da saúde. O estudo destaca a necessidade urgente de políticas públicas integradas, com fortalecimento da atenção primária, ampliação do acesso ao cuidado contínuo e estratégias direcionadas à prevenção, especialmente em populações mais vulneráveis, a fim de reduzir a mortalidade prematura e o impacto socioeconômico do diabetes mellitus na Bahia.

Andrade LJO, Oliveira GCM, Bittencourt AMV, Andrade JCNC, Lima JL, Oliveira LM. Estimation of Years of Life Lost Due to Premature Mortality from Diabetes Mellitus in Bahia – Brazil. medRxiv, 2025.

Link para artigo completo: https://doi.org/10.1101/2025.03.24.25324575

11. Cintilografia de perfusão miocárdica na avaliação da dor torácica atípica em pessoas com diabetes tipo 2 e hipertensão

Trata-se de um estudo observacional realizado com 165 indivíduos com diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica, com idade média de 65,6 anos, que apresentavam dor torácica atípica, considerada provavelmente não cardíaca, associada a eletrocardiograma de repouso normal ou com distúrbios de repolarização ventricular. O objetivo do estudo foi avaliar a presença de alterações isquêmicas miocárdicas por meio da cintilografia de perfusão miocárdica (CPM), um exame não invasivo utilizado na investigação da doença arterial coronariana.
Todos os participantes foram submetidos à CPM utilizando protocolo de dois dias, com estresse físico ou farmacológico. Os resultados demonstraram que 63,0% dos pacientes apresentaram perfusão miocárdica normal, enquanto 37,0% exibiram achados compatíveis com isquemia miocárdica. A maioria dos participantes também realizou teste ergométrico, que foi positivo para isquemia em 33,3% dos casos. A concordância entre a CPM e o teste ergométrico foi considerada moderada, evidenciando que a cintilografia apresentou maior sensibilidade na detecção de alterações isquêmicas, inclusive em pacientes com teste ergométrico normal.
O estudo conclui que, em pessoas com diabetes tipo 2 e hipertensão que apresentam dor torácica atípica, a cintilografia de perfusão miocárdica é uma ferramenta importante para identificar isquemia miocárdica sugestiva de doença arterial coronariana. Dessa forma, o exame contribui para o rastreamento adequado e para a indicação mais criteriosa de procedimentos diagnósticos invasivos, auxiliando na estratificação de risco e no manejo clínico dessa população de alto risco.

ANDRADE, L. J. O. et al. Cintilografia de perfusão miocárdica para avaliação de dor torácica atípica em indivíduos diabéticos tipo 2 com hipertensão sistêmica. Hipertensão, v. 27, n. 1, e271002, 2025.

Link para artigo completo: https://www.sbh.org.br/arquivos/revistas/2025-revista-vol-27-n-1/