Uesc -Universidade Estadual de Santa Cruz

Espaço Ciência Saúde - Ano de publicação 2025

Saúde Mental

1. Associações entre depressão e recreação baseada na natureza: um estudo transversal com adultos dos Estados Unidos, Espanha e Brasil

Este estudo transversal investigou como os critérios de sintomas do Transtorno Depressivo Maior (TDM) se relacionam com a participação em atividades recreativas baseadas na natureza (qualquer atividade ao ar livre, atividades em florestas, jardinagem e atividades de aventura na natureza) entre adultos dos Estados Unidos (n = 606), Espanha (n = 438) e Brasil (n = 448). Os resultados indicam que indivíduos que participaram dessas atividades pelo menos uma vez por mês apresentaram taxas mais baixas de todos os nove critérios de sintomas do TDM, incluindo anedonia, sentimentos de tristeza ou desesperança, problemas de sono, dificuldade de concentração e ideação suicida, em comparação com aqueles que não participaram com a mesma frequência. As associações foram consistentes entre os países e tipos de atividades, sugerindo que muitas formas de recreação baseada na natureza estão negativamente correlacionadas com os sintomas do TDM. A recreação baseada na natureza apresentou uma relação inversa mais forte com a ideação suicida do que com outros sintomas depressivos. O desenho transversal deste estudo limita a interpretação causal das associações observadas. Se estudos experimentais futuros confirmarem nossos achados, profissionais de diferentes países podem considerar recomendar a participação em recreação baseada na natureza para aliviar os sintomas do TDM de seus clientes.

ROSA, C. D.; LARSON, L. R.; COLLADO, S.; GEIGER, S. J.; PROFICE, C. C.; MENUCHI, M. R. T. P. Associações entre depressão e recreação baseada na natureza: um estudo transversal com adultos dos Estados Unidos, Espanha e Brasil. Scientific Reports, v.15, n.4910, 2025.

Link para artigo completo: https://doi.org/10.1038/s41598-025-89156-0

2. Associação entre comportamentos de movimento de 24 horas e sintomas depressivos em universitários durante a pandemia de COVID-19

Os comportamentos de movimento ao longo de 24 horas atividade física, comportamento sedentário e sono são fatores modificáveis que podem influenciar a saúde mental. Este estudo teve como objetivo avaliar a associação entre esses comportamentos e sintomas depressivos em universitários durante a pandemia de COVID-19. Trata-se de um estudo transversal realizado com 88 estudantes de uma universidade pública do sul da Bahia, no período de agosto a dezembro de 2021. A atividade física, o comportamento sedentário e o sono foram avaliados por meio de acelerômetros e questionários validados, enquanto os sintomas depressivos foram mensurados pelo Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9). Os resultados mostraram alta prevalência de sintomas depressivos, observada em 79,5% dos participantes, sendo que 51,1% apresentaram risco aumentado para depressão. A análise objetiva revelou que menor tempo e pior eficiência do sono estiveram associados a maior risco de depressão. Além disso, estudantes que atenderam apenas uma ou nenhuma das recomendações dos comportamentos de movimento de 24 horas apresentaram maior risco de sintomas depressivos quando comparados àqueles que atenderam duas ou mais recomendações. Os achados indicam que a adoção conjunta de hábitos saudáveis relacionados à atividade física, redução do comportamento sedentário e sono adequado pode desempenhar papel importante na proteção da saúde mental de universitários, especialmente em contextos de crise sanitária.

Prata SC, Camboim LKV, Tebar WR, et al. Association between 24-hour movement behaviors and depressive symptoms in university students during the COVID-19 pandemic. Medicina (Ribeirão). 2025;58(1):e220060.

Link para artigo completo: https://doi.org/10.11606/issn.2176-7262.rmrp.2025.220060

3. Impactos da dislexia na infância e suas implicações para a autoestima

A dislexia é um transtorno específico da aprendizagem que compromete principalmente a leitura e a escrita, podendo gerar repercussões emocionais importantes durante a infância. Este estudo teve como objetivo analisar os impactos da dislexia no desenvolvimento da autoestima infantil. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada a partir de artigos publicados entre 2020 e 2025, identificados nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e PubMed. Os estudos analisados demonstraram que crianças com dislexia apresentam maior risco de baixa autoestima, insegurança, ansiedade e dificuldades de interação social, especialmente quando inseridas em ambientes escolares pouco adaptados às suas necessidades. Observou-se que o diagnóstico tardio e a ausência de suporte pedagógico e psicossocial contribuem para o agravamento dos impactos emocionais, enquanto a identificação precoce do transtorno, aliada a intervenções educacionais e apoio familiar, favorece o fortalecimento emocional e a adaptação escolar. Os achados indicam que a dislexia não afeta apenas o desempenho acadêmico, mas também o bem-estar psicológico das crianças, ressaltando a importância de abordagens multidisciplinares que considerem tanto os aspectos cognitivos quanto emocionais no cuidado à saúde infantil.

Santos MC, Almeida RS, Oliveira FM. Impactos da dislexia na infância e suas implicações para a autoestima. Contribuciones a las Ciencias Sociales. 2023;56:e056.

Link para artigo completo: https://doi.org/10.55905/revconv.056.2023